Sunday, September 29, 2013

Está complicado

Obrigada pela torcida e orações pela minha pequena. Ela operou e o pior ficou para trás!

2013 não está sendo um dos melhores anos para a minha família... Já lamentei aqui um monte de coisa que aconteceu... A intenção não é que aqui vire um blog de reclamações, mas é o que está rolando na minha vida e aqui é o espaço que quero deixar registrado o que acontece...

Pré cirurgia da Lua, marido e eu nos preparamos psicologicamente para o evento, nós sabemos que em uma cirurgia a anestesia é uma das partes com mais chance de dar errado, então nos preparamos para isso. Um dias antes da cirurgia nos reunimos com a cirurgiã para discutir o procedimento e a recuperação.

Tudo ótimo, marido e eu lemos muitos artigo sobre a doença. 50% dos cachorros diagnosticado com shunt morrem dois anos após a descoberta da doença se não fazem a cirurgia. Logo, a cirurgia era a escolha óbvia aqui em casa. No entanto, marido e eu falhamos em nos familizarizar com o pós operatório. No dia da consulta descobrimos que a Lua tinha 10% de chance de morrer nas 72 horas pós-cirurgia.

Isso nos pegou de jeito. Eu sei que 10% pode parecer um número baixo, mas um casal que convive com estatísticas médicas no dia a dia, este número é bemmmm alto. No mesmo dia da reunião com o cirurgião foi o dia que a Lua internou para fazer a cirurgia na manhã seguinte, e novamente eu saí da sala aos prantos... Malditos 10%....

Na mesma noite em que minha pequena teve que ficar no hospital sem saber se voltaria para casa ou não, eu recebi uma ligação do Brasil. Uma ligação fora de hora... meu tio faleceu...

Vcs podem imaginar como foi o resto da minha semana. Eu já perdi muita gente que amava este ano, e isto só fez minha insegurança aumentar com relação a cirurgia da Lua. Felizmente tudo ocorreu bem, a pequena ficou internada uma semana, mas agora está em casa e se recupera muito bem.

Ir para o Brasil está fora de questão. Lua não pode viajar e ela requer muitos cuidados especiais que marido jamais conseguiria dar conta sozinho.

Faltam 3 meses para este ano acabar, e eu espero mesmo uma redenção, para que ele acabe de uma forma que mereça uma celebração, pq tá ph&%#



Primeira visita no hospital após a cirurgia. Ela tinha que usar este sino enorme no pescoço para ela fazer bastante barulho no caso de uma convulsão.

O dia que ela saiu do hospital.

Já em casa, odiando o colar da vergonha.

Sunday, September 8, 2013

Problemas com a Lua



Já comentei aqui sobre algumas peculiaridades médicas da minha pequena. Lua gosta de ser diferente e ter coisas complicadas, então cá estamos nós com mais problemas médicos. Senta que lá vem história...
Algumas semanas atrás, algumas horas após ser tosada, Lua passou a desenvolver um comportamento estranho. Ela vai no mesmo lugar desde de bb, e por conta das alergias, ela usa shampoo específico que nós levamos, mas mesmo assim, achamos que podia ser alguma reação de algo que eles poderiam ter dado para ela. Após uma noite inteira sem dormir, com Lua caminhando de um lado para o outro na cama, decidimos ligar para o Petshop e ver ser algo diferente havia acontecido. Eles nos informaram que tudo havia ocorrido normalmente, e que eles não haviam dado nem mesmo treats para Lua (ela tem problema de alergia com comida tbm). Lua ficou mais um dia super agitada, se coçando constantemente, agitando a cabeça... Muitas vezes ela se deitava e sem nada ocorrer, ela pulava e ia se esconder, como se ela se assustasse com algo. Ela corria para os lugares de segurança dela, debaixo da cama e debaixo da mesa do escritório. Como os sintomas só pareciam piorar, decidimos levá-la ao veterinário.
Com trocentos sintomas diferente e nenhum sinal clínico aparente, Lua passou por uma maratona. Na primeira visita, a médica indicou medicamento para a alergia, e pediu para que sempre que a Lua fosse para fora de casa, no retorno, deveríamos passar um lenço umedecido pelo corpinho dela todo. Não havia nenhuma infeção de ouvido, mas ela estava com blepharitis. Como nos últimos meses ela teve duas infeções urinárias, a médica solicitou exame de urina e um exame de sangue. Um dos sintomas que descrevemos, a médica disse que poderia ser convulsão parcial ou TOC, e que com os exames de sangue ela esperava poder dizer mais sobre o problema.
No dia seguinte, quando levamos a urina para ser avaliada, mostramos para a veterinária um vídeo que havíamos feito do “ataque” da Lua. A médica explicou que o vídeo mostrava algo que os médicos chamam de star gazing, que é fixar o olhar no teto. Neste vídeo, na marca de 25 segundos, é possível ver a Lua fazendo isso rapidamente. Ela estava tendo este star gazing umas 20 vezes por dia, alguns episódios eram bem rápidos, enquanto outros duravam um pouquinho mais. A médica explicou que definitivamente era uma convulsão parcial, agora nós precisávamos achar a causa.
A Lua tem estas convulsões desde pequena, mas era algo bem esporádico, uma vez por semana ou olhe lá. Quando ela era bb até a levei no veterinário por conta disso, e na época eles fizeram um exame de sangue para ver se não era hipoglicemia, como voltou negativo e era algo beeeemmmm esporádico, o médico achou que provavelmente era comportamental. No entanto, agora ela estava tendo 20 casos por dia.
A médica decidiu examinar a Lua de todas as formas que vcs podem imaginar: sangue, urina, fezes, ultrasound do abdomem, e nada foi encontrado. Nossa veterinária, MARAVILHOSA, sentou e nos explicou que ela não conseguia encontrar nenhuma causa específica para as convulsões da Lua. Ela também explicou que na grande maioria dos casos, epilepsia em animais é idiopática, e eles acabam tratando as convulsões com medicação sem achar a causa. No entanto, ela explicou que haviam dois outros exames de sangue que ela poderia solicitar, triglicerides e ácidos biliares. Como os primeiros exames de sangue da Lua vieram normal, ela acreditava que estes dois exames, muito provavelmente, também voltariam normal. Seriam exames complementares, para nos dar paz de espírito de que havíamos exaurido todas as possíveis causas das convulsões. O tratamento poderia ser iniciado sem estes exames, e por eles serem exames caro, que muito provavelmente voltariam negativo, a médica explicou que não era algo essencial. Felizmente, a Lua tem seguro saúde, então preço não era(é) uma preocupação, e a veterinária seguiu com os exames.
Bendita veterinária que nos ofereceu os exames. Ambos voltaram elevados, os ácidos biliares estavam absurdamente elevados. Para baixar triglicerides em cachorro, a única coisa que se faz é dar óleo de peixe, já para presença dos ácidos biliares tão elevada, era necessário achar a causa. Esta alteração signifia que algo está errado com o fígado da pequena. Seguimos então para o especialista.
Já no hospital do especialista, o problema da Lua virou um grande quebra-cabeça. Ela fez mais trocentos exames, ficou internada, fez mais ultrasound, e mesmo assim, eles não conseguiam encontrar o problemas que eles acharam que poderia ser. Mais conversas com o veterinário especialista, várias horas em hospital... e o especialista indicou que fizéssemos uma cintilografia para função do fígado.
A cintilografia consiste em uma injeção de elementos radioativos no baço, e depois com um aparelho de imagem, o elemento radioativo é acompanhado para ver se ele segue para o fígado ou para o coração. Considera-se que se mais de 5% do elemento radioativo seguir para o coração o animal tem algo que eles chamam shunt. No caso da Lua, mais de 90% do elemento radioativo seguiu direto para o coração. Isto quer dizer que a Lua tem um “super” shunt.
Shunt significa que existe um vaso (ou vários) que desviam o sangue dela do fígado, onde ele deve ser filtrado antes de seguir para o sistema sanguíneo. Isto é um problema congênito. No caso da Lua, o figado dela não está filtrando nada, então o corpinho dela está lotado de toxinas, e isso explica parte dos problemas dela.
A pequena precisa de cirurgia :( Mas como o nível de toxinas no sangue está muito alto, ela não pode receber anestesia geral. No momento ela está em casa, sendo medicada e com dieta restrita para pacientes com problema de fígado. Isto é importante para que ela possa ser operada, o que vai acontecer no dia 17.9, se tudo correr tranquilamente até lá.
O caso da Lua não é clássico. Os médicos não entendem como ela viveu 4 anos quase sem sintomas com um problema tão severo. Já os sintomas que ela tem agora, nem todos se encaixam com shunt, e os exames dela são contraditórios...
Depois de tantos exames e internação, ter a pequena em casa é um alívio, mesmo com tantas incertezas. Deixar ela internada foi super difícil. Chorei horrores, e quando fui buscá-la, vê-la com a barriguinha e perninhas toda raspada, com vários furos de agulha, alguns hematomas, e com a carinha mais pidonha do mundo, foi de cortar o coração! Eu só consegui abracá-la e chorar! Ver minha pequena tão indefesa, passar por tudo isso é dolorido, muito dolorido!
O próximo momento de sofrimento vai ser a cirurgia. Torçam pela minha Lua!