Thursday, April 14, 2016

Relacionamentos



Estamos no processo de mudança e desenterrando diversas coisas que nem lembrávamos mais rsrs Eu costumava fazer rascunhos para o blog em papel e depois passava para o computador (sou old school pessoal rsrsrs). Enfim, encontrei este rascunho sobre relacionamentos que escrevi lá em 2011 e como ainda concordo plenamente com ele rsrs resolvi publicá-lo.

Eu não acredito que estamos destinados à um único amor. Sabe a ideia de que existe uma única pessoa esperando por você em algum lugar? Não acredito neste conceito. Para mim é algo muito conto de fadas para alguém que nunca se viu como princesa. Amo muito meu marido, mas ele não foi meu primeiro e único amor. Não acho que os amores que vivi antes são menos importante do que tenho hoje. Diferente? Com certeza, mas definitivamente não menos importante. Meu marido é o meu presente e espero que continuemos construindo bases sólidas para o nosso futuro. Quero morrer velhinha do lado dele. No entanto, nós dois temos um passado; temos pessoas importantes que nos envolvemos romanticamente e que nos ajudaram a nos tornarmos o que somos hoje, nos pontos positivos e negativos também rsrs

Já comentei aqui no blog que antes de me relacionar com o meu marido eu tinha saído de um relacionamento de 9 anos. Sempre que falo isso as pessoas se assustam. “Nove anos e vocês não se casaram?” “O que ele fez?” “Tinha medo de se casar?” “Ele tinha medo de se comprometer?” Quando digo que ele era uma pessoa maravilhosa a bomba vira para o meu lado. “O que você fez?” Parece que para um relacionamento acabar, há-se a necessidade de um culpado monstruoso.

Há um texto que rola na internet que está assinado por Arnaldo Jabor (não sei se ele é o autor mesmo. Na internet nem sempre se tem certeza o que é de quem rsrs). O texto fala sobre relacionamentos e eu acho uma reflexão bem interessante. Ele começa assim:
             
          “Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
             Detesto quando escuto aquela conversa:
                        - Ah, terminei o namoro...
                        - Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
                        - 5 anos... que pena... acabou...
                        - é... não deu certo...
            Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.”

Isto é exatamente o que penso. Meu relacionamento de 9 anos deu certo, mas acabou. Durante o tempo que estávamos juntos, as coisas funcionavam muito bem, até que parou de funcionar e não havia mais motivos para investir. Foi falta de amor? Não acho. Ele me traiu? Não que eu saiba ou suspeite rsrs Simplesmente chegamos em momentos diferentes de nossas vidas e não fazia sentido retardarmos os sonhos um do outro. Por muito tempo andamos no mesmo passo, até que nossos passos mudaram, e ao invés de estressarmos tentando achar um ritmo, percebemos que simplesmente nosso tempo como casal havia acabado.

Eu não tenho nada de ruim para falar do meu ex e isto espanta muita gente. Ele é uma pessoa incrível. Amigo, honesto, batalhador, cheio de metas e sempre me incentivou a ter as minhas e lutar para alcançá-las. Bom, já faz muitos anos que não nos falamos, mas acho difícil ele ter mudado tanto. Ele é essencialmente bom. Acredito, honestamente, que ele deva ser um ótimo marido para a pessoa com quem ele se casou. Uma pena que nossa amizade precisou acabar, mas entendo que nem sempre nossos parceiros toleram amizade com a ex.

O relacionamente acabou, mas o carinho e respeito que sempre tive por ele continuam intocados. Ele foi um grande amor e quando olho para o passado não fico incomodada, machucada ou amargurada. Não, a lembrança do nosso passado juntos traz um sorriso ao meu rosto e não lágrimas. Não há saudosismo também de que algo tenha ficado inacabado, nossa história teve começo, meio e fim.

Eu sei que não é assim para todo mundo. Sei que há muitas pessoas por aí que terminam relacionamentos por milhões de outros motivos e as coisas não são tão tranquilas como foi o meus caso. Sei que esta teoria que estou dividindo aqui não se aplica a todos os casos, mas se aplica ao meu e na verdade parece que sou um extraterrestre quando falo da pessoa incrível com quem dividi 9 anos da minha vida. As vezes, a reação de algumas pessoas é de como se estivesse traindo meu marido por falar do meu passado tão abertamente. Felizmente, marido entende muito bem o significado do meu passado e sabe que está tudo lá, no passado. Como temos uma filosofia muito parecida, a coisa flui tranquilamente, afinal, nem ele nem eu jogamos o nosso passado fora. Cartas, fotos, cartões... está tudo guardadinho para o dia que tivermos pandinhas (eeee hoje temos um pandinha rsrsr), eles tenham a oportunidade de “tocar” o passado dos pais deles.

Nossos relacionamentos passado acabaram, mas não deixaram de existir. Sou bem feliz com isso. Não vivo do passado, mas também não esqueço que ele está lá. Afinal, poder olhar para o passado de forma racional me ajuda muito em refletir sobre o que sou e quero ser.