Posts

Cagar não deveria ser tão complicado – parte 2

Image
E continuamos na nossa saga de Pandinha não conseguir fazer cocô. Vamos recapitular com detalhes:
Em Dezembro de 2016, por motivos que até hoje desconhecemos, Pandinha parou de fazer cocô. Ele ficava dias sem evacuar (mais de 10) e só fazia com muito esforço e muito choro. Ele passou a não querer andar, não querer brincar, não querer comer. Alguns meses depois, ele teve a consulta de rotina dele com a pediatra e veio o sinal vermelho: ele estava perdendo peso. MUITO peso. A médica entrou com laxativo e passamos a monitorar o peso. O peso continuou a cair e nada de ele evacuar com facilidade.
Pandinha era uma criança que estava na faixa de 95 percentil na curvatura de crescimento para peso. Para traduzir o que isso significa, se você o colocasse em uma fileira com 100 crianças típicas com a mesma idade dele, 95 das crianças teriam peso menor que o do Pandinha e apenas 5 crianças pesariam mais do que ele. Pois bem, de 95 percentil ele caiu para 30. Crianças não devem cair em sua curvatu…

Possível segundo filho

Image
Quando eu dividi que havia sofrido um aborto, tenho certeza que muita gente ficou surpresa e curiosa sobre eu estar grávida. Acredito que a surpresa foi ainda maior para quem soube que não foi uma gravidez acidental, pelo contrário, foi uma gravidez bem “suada;” já que estamos lidando com infertilidade secundária e esta foi uma gravidez que conseguimos com a nossa segunda tentativa de inseminação artificial. Imagino a surpresa, pois após ter meu pandinha, eu sempre fui bem aberta sobre não querer ter outro filho. Eu dizia que era 98% de chance de eu não ter outro filho. Essa nem sempre foi minha realidade.
Eu sempre quis ter mais de um filho. O plano sempre foram dois biológicos e um adotado. Antes de casar, marido e eu havíamos concordado com o tamanho da nossa família, mas aí fiquei grávida e tive um filho e tudo mudou.
A minha primeira gravidez foi extremamente programada e desejada. Tive sorte por poder me programar e a “natureza” cooperar. No entanto, a cooperação da natureza foi s…

Obrigada!

Primeiro de tudo, obrigada! Obrigada pelas mensagens aqui e no privado. Obrigada pelo carinho, pelo suporte, pelas orações e energias enviadas.
Qualquer luto é complicado de abordar. É complicado para quem está dentro e para quem está fora. O que você fala para alguém que teve uma gravidez interrompida involuntariamente? O que a pessoa que sofreu o aborto pode falar? O aborto espontâneo, para mim, foi uma enxurrada de inadequação. Minha, simplesmente por não saber responder a cada sinto muito. Por não saber como me portar e nunca ter certeza que não fui grossa com ninguém que simplesmente queria me confortar.  É um momento de muita sensibilidade física (dor, sangramento, hormônios) e emocional e cada um processa este momento de uma forma diferente, apesar de todas as similaridades e as pessoas que estão a nossa volta também tem seu jeito único de processar e situação fica desconfortável para todos.
O luto de um aborto espontâneo no primeiro trimestre, na minha percepção, é ainda mais c…

Somos sempre números

E assim, em uma daquelas situações que você fica pensando em como a vida consegue ser irônica, entrei para a estatística que ninguém quer fazer parte: grávidas que sofrem aborto espontâneo no primeiro trismestre.  Pois é, dias antes do dias das Mães.
Assim como foi com o Pandinha, não contamos a ninguém que eu estava grávida, estávamos esperando passar o primeiro trimestre. De acordo com o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia, 10-25% das gravidezes acabam em aborto espontâneo. A maior incidência de aborto espontâneo é no primeiro trimestre e comigo não foi diferente e este é o motivo que esperamos para contar sobre a gravidez na primeira vez e estávamos esperando desta vez também.
Eu tenho diversas amigas que sofreram abortos espontâneo, além de ter trabalhado na área de Reprodução Assistida por mais de 10 anos, ou seja, minha exposição a abortos espontâneos sempre foi bem alta, mas obviamente que isso não faz a situação nem um pouco mais fácil para nós.
Fazia alguns dias que …

Novidades nem tão novas

Então que eu voltei a trabalhar.
A vida é um troço louco mesmo e no mesmo dia que eu publiquei este post aqui recebi um email com uma proposta de emprego. A coisa me pareceu interessante e marquei uma entrevista para a semana seguinte.
Fazia já algum tempo que não participava de uma entrevista de emprego. Quando nos mudamos para cá, eu participei de umas entrevistas mas não estava me candidatando a nada, era apenas para networking, então foi diferente. Antes disso, minha última entrevista para emprego ocorreu em 2009, que foi quando me mudei para Michigan depois de quase dois anos em Ohio.
Curiosamente, eu não estava nervosa para entrevista. Eu sempre fico um pouco ansiosa e penso que vou falar alguma coisa errada em inglês rsrs mas fora isso, fui tranquila. A entrevista ocorreu bem e na tarde seguinte recebi o email com a proposta de emprego.
Estou em um mundo novo. Trabalho com pesquisa, mas em uma área nem um pouco relacionada com a Reprodução Assistida. Minha posição no meu trabalho…

Minha Desconstrução de Conceitos: Estereótipos de Gênero - Parte Final

Nos posts anteriores, eu falei um pouco do papel dos estereótipos de gênero na minha vida como menina/mulher, mas a maioria, eu foquei em dividir algumas informações que me ajudaram e ajudam na minha reflexão diária para desconstruir os estereótipos de gênero aqui em casa. Estas informações focaram mais sobre os efeitos dos estereótipos de gênero em meninos, isto porque queria chegar no ponto do impacto destes estereótipos na Aline mãe.
Através do Instagram da @mymamasaidso (as blogueiras das antigas provavelmente conhecem a Helen do blog Esquilo Adaptado) eu cheguei neste excelente artigo de opinião que saiu na revista Times chamado “How to Raise a Sweet Son in an Era of Angry Men” por Faith Sailie.
Em seu artigo, Faith faz um ponto importante sobre como as pessoas do sexo feminino estão conquistando sua voz e seu espaço e finalmente tendo o direito de demonstrar sua raiva. A autora faz questão de ressaltar uma importante diferença entre a raiva que as mulherem estão demonstrando, ond…

Minha Desconstrução de Conceitos: Estereótipos de Gênero - Parte 4

Image
Como nos outros posts, começo com a afirmação de que estereótipos de gênero são problemático para todos os membros da nossa sociedade, independente do sexo. Vou repetir milhões de vezes: eles nos limitam. Esta ideia de que uma pessoa precisa se portar de forma x ou y baseado em sua genitália funcionam como amarras que impedem desenvolvimento individual e consequentemente o desenvolvimento da comunidade em que vivemos.
O tempo todo escutamos sobre como não devemos nos importar com o que os outros pensam, sobre como devemos nos preocupar de como as coisas ocorrem dentro de casa e sim, são afirmações que tem o seu valor, mas como não vivemos em uma bolha, as pressões sociais nos afetam mesmo que inconscientemente e isto traz consequências individuais e para a sociedade em que vivemos.
Uma outra indicação que faço para quem quer explorar mais o tema é o documentário "The Mask You Live in" da diretora Jennifer Siebel Newson e disponível no Netflix.  O documentário foca nos efeitos…