Tuesday, September 29, 2015

Meus filhos

Uma das minhas preocupações quando estava grávida era de como a vida da Lua mudaria com a chegada do meu pequeno. Medo de como seria para ela e de como seria para nós.

Lua é minha filha de 4 patas. Minha pititica que amo absurdamente. Por 5 anos, ela foi nossa única filha e o centro do nosso universo. Lua é mimada. Educada, mas mimada rsrs

Tinha medo também porque ví diversos amigos deixarem seus pequenos de 4 patas mais de lado quando o filho bípede chegou. Tinha medo de ficar mais brava que o normal com os latidos dela. Tinha medo de amar menos. (Gente, hormônio de grávida é coisa de louco hahahahaha) Tinha medo de como seria a relação dos dois.
 
Pandinha nasceu. Quem leu o post do nascimento viu que minha bolsa estourou antes do programado e tudo estava de ponta cabeça. Enfim, fomos para o hospital de madrugada e liguei para uma amiga querida para ir pegar minha pequenina. Nós ficamos no hospital 36 horas. Eu saí do hospital e fui direto para a casa da minha amiga pegar a Lua. A Lua poderia ter ficado alguns dias com minha amiga? Poderia! Confio muito nesta amiga e a Lua a adora. Ela inclusive ofereceu para ficar com a pequena, mas para n[os era importante ela começar este novo capítulo com a gente. Entramos em casa os 4 juntos.

Chegamos em casa e foi uma grande adaptação para todos envolvidos rsrs Lua não faz nada dentro de casa. Nada mesmo. Não importa se chove, se neva, se está -40C lá fora (o que estava, já que pandinha nasceu no inverno) ela precisa ser levada para passear 3 vezes ao dia. E assim foi, pandinha recém-nascido, e se fosse a hora dela sair e ele estava acordado, eu colocava o pequenino no macacão de neve e saíamos para levar a pequena para passear.

Foto do arquivo pessoal

Sim, teve um pouco de ciúmes, afinal, nossa atenção era 100% da Lua e quando Pandinha chegou, principalmente nos primeiros dias, nossa atenção estava muito mais voltada ao pequenino. Sim, existem horas que fico brava com os latidos da Lua, mas sempre digo para mim mesma que esta é a única forma para ela se comunicar e conto até 10 rsrsrs Mas no geral, não mudou!
Um exemplo, viajamos para San Diego e Lua foi com a gente visitar a vovó. Me diz, como deixar para trás minha pequena que tanto ama a praia?
Arquivo Pessoal

Fora o fato que se ela não estivesse com a gente, não teria a foto mais perfeita dos meus amores juntos!
Arquivo Pessoal
Desde o primeiro dia, Lua virou guarda-costas do Pandinha. No começo, ela não deixava ninguém desconhecido (dela) chegar perto dele. Ela ficava sempre a espreita quando alguém o pegava no colo. Sempre que ele chorava, ela corria até o berço.

Pandinha adora sua cachorra. A Lua nem sempre tem saco para lidar com um bebê hahaha mas ela se esforça. E meu coração se enche de felicidade cada vez que vejo a interação deles. Me diz se o coração de vocês também não se derrete com cenas assim?
Arquivo Pessoal

Arquivo Pessoal

Friday, September 25, 2015

Os dilemas da vida (dos outros)

O rascunho deste post começou em 2013 :-) Ou seja, quando eu ainda não tinha um filho.

Estes dias, marido e eu estávamos conversando sobre um dos pacientes dele. Foi uma conversa interessante, reflexiva e que achei muito difícil chegar em algum tipo de conclusão. Por ser algo que achei super interessante e que um dia quero voltar nela para ver como penso a respeito, resolvi dividir aqui no blog.
O paciente tem nove meses, está no hospital faz 15 dias, sem nenhuma função cerebral. Ele está conectado a uma máquina chamada ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) que age como se fosse coração e pulmões do bebê. As chances de que este bebê saia do coma é praticamente zero.
Marido acha justo que desconectem o bebê da máquina. Na há nada que possa afirmar com 100% de certeza que este bebê não está sofrendo com este processo invasivo e com outros que a criança é submetida durante uma internação na unidade de terapia intensiva.
Eu também não acho justo o bebê ser submetido a tanta coisa, acho sim que o pequeno precisa sair deste "sofrimento," mas para os pais, quão difícil é tomar esta decisão? Quanto tempo é necessário para que estes pais internalizarem que é hora de deixar o bebê ir? Já é difícil desligar os aparelhos de um adulto. Como fazer isso com o seu bebê de 9 meses? Eu não tenho filhos, tenho apenas sobrinhos e a ideia de algo remotamente parecido acontecer com eles me desestrutura totalmente.
Por um lado, é importante o bebê sair deste estado, por outro, os pais precisam de um tempo para poder se despedir da promessa de vida que eles tinham. É egoísmo deixar o bebê assim? Meu marido acha que é, o que de certa forma eu concordo, mas é não sei se consideraria errado... Muito difícil como expectador, nem imagino como deve ser para os pais...

Wednesday, August 5, 2015

Amamentação



Esta semana estamos celebrando a “Semana Mundial de Aleitamento Materno,” e estimulada por uma amiga querida, resolvi escrever o meu relato sobre a minha história de amamentação. Esta história é divida em muitas fases. Inicialmente, eu pretendia falar apenas da volta ao trabalho quando se quer fazer aleitamento materno exclusivo, mas decidi que seria um post muito incompleto. Eis que então decidi escrever este post enorme com a MINHA HISTÓRIA desde o começo.

Assim que decidi engravidar, fiz como a maioria das mulheres, mergulhei de cabeça no mundo da maternidade. Ávida leitora que sou, lí de tudo que cerca e faz parte deste mundo. Lí artigos científicos, livros, revistas, reportagens, sites especializados, blogs, etc. Lí histórias maravilhosas e outras tristes sobre parto, relacionamento pais e filhos, mãe e pais, avós. No entanto, um assunto que achei fortemente negligenciado foi a amamentação. Sim, é quase unânime que você deve amamentar seu bebê, mas muito pouco se fala além desta orientação. Lí pouquissímos relatos pessoais sobre amentação. Então, parti para o pressuposto de que não havia muito do que se falar sobre o tema. Eu não poderia estar mais equivocada. 

Como comentei ali em cima, eu lí muito sobre tudo, inclusive o que consegui achar sobre amamentação. No fim da gravidez, também fiz um curso de lactação e isto me deu a falsa sensação de que eu estava preparada. Lição da maternidade para mim: não importa o quanto você se prepara, você nunca está preparada para ser mãe. 

Quem me acompanhou durante a gravidez sabe que nada foi fácil. Eu tive praticamente todos os sintomas clássicos que as pessoas comentam e outros nem tão clássicos. Por exemplo, quantas grávidas vocês conhecem que ficou com metade do rosto paralisado?! Talvez eu seja a primeira da sua lista :-)

Enfim, nada foi fácil e se você já leu meu blog, sabe que entrei em trabalho de parto com 37 semanas enquanto meu pai estava em coma lá no Brasil após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Preste bem atenção, não estou dividindo estas coisas para que as pessoas tenham dó de mim. De forma alguma. Eu estou contando estas partes para que minha frase seguinte faça muito mais sentido e tenha o impacto que merece. Lá vai: Apesar de tudo que passei durante as 37 semanas de gravidez adicionado a todo o drama do parto, a parte que ainda considero mais difícil nesta minha história, ainda foi a amamentação!!

Após sair da minha barriga, meu pequenino veio direto para o meu colo. Fizemos nosso pele com pele e ele lindamente pegou o meu peito e sugou com vontade. Foi lindo. Foi mágico. Eles fizeram os primeiros cuidados do recém nascido e o devolveram para o meu colo. Assim fomos do centro cirúrgico para o centro de recuperação. Coladinhos um no outro. Lá no centro, uma ótima enfermeira veio nos auxiliar com a amamentação. Ela repassou comigo posições para segurá-lo, ângulo da cabeça e abertura de boca e a admiração do "apesar de prematuro, ele está fazendo muito bem o trabalho de sucção." Fiquei 36h no hospital após o parto. Tive visita da consultora de lactação e ajuda da enfermeira no quesito mamadas, ainda assim, quando fomos para casa e as dificuldades começaram a se acumular.

Meu pequeno foi circuncidado no primeiro dia de vida e um dos cuidados necessários é que se coloque muita Vaselina na fralda. Por conta de toda essa Vaselina, nós tivemos a impressão que meu pequeno não fazia xixi. Aí veio o primeiro baque para estremecer minha segurança: "se ele não estiver fazendo xixi vamos ter que suplementá-lo com leite artificial." Estava determinada a não deixar isso acontecer, então passei a acordar meu bebê em intervalos bem curtos para ele mamar. Porque tem esta também, bebês prematuros são ainda mais dorminhoco e super difíceis de se manter acordados durante mamadas.

Após 5 dias de colostro, meu leite desceu. Mães por aí sabem o que isso significa, ingurgitamento. Meus peitos ficaram enormes. Duros. Doíam absurdo e meu bebê passou a ter dificuldade na pega. 

Em uma das visitas ao pediatra (meu pequeno teve várias nos primeiros dias de vida), descobrimos que nosso bebê não estava ganhando peso e a icterícia dele estava piorando. Passamos a ir ao médico a cada dois dias. Fizemos exames de sangue. Os exames voltaram normais, mas chegou o momento que meu bebê não só não ganhava peso como ele começou a perder.  Felizmente, minha pediatra é pró-aleitamento materno e ao invés de me dizer para introduzir leite artificial, ela me ensinou a fazer uma sonda com seringa e utilizar meu próprio leite para suplementar. Após cada mamada, passamos a suplementar o pequeno com mais 30mL do meu leite se utilizando da sonda de seringa. O possível problema para ele estar perdendo peso: meu bebê não sabia mamar. A prova: meus mamilos com hematomas, sangrando, com vários cortes; meus gritos de dor cada vez que ele sugava no meu bico.

Um monte de gente neste momento pode dizer: se sofria tanto, por que não passou a dar mamadeira? Minha resposta é: porque eu escolhi dar de mamar no meu peito e decidi não introduzir nenhum bico artificial na vida do pequeno. Sem chupetas. Sem mamadeiras. Não queria dar espaço para possível confusão de bicos. Afinal, meu pequeno já tinha problemas. Foi minha escolha e fiz o que achei certo naquele momento para continuar com a minha escolha.

Então vamos a minha rotina após apenas duas semanas com meu bebê: o acordava de duas em duas horas; ele mamava no peito; eu bombeava leite; dava mais 30mL de leite na seringa; bombeava mais leite para criar estoque para poder voltar a trabalhar.

Felizmente meu bebê começou a ganhar peso e aos poucos paramos com a suplementação. Pequenino estava aprendendo a mamar. Aí veio a outa parte da minha história: moro nos EUA, onde não existe licença maternidade. Eu fiquei com meu bebê em casa por 9 semanas (sem salário). Eu tive que voltar a trabalhar quando ele não tinha aprendido completamente a mamar e muito menos havia aprendido a tomar leite no copo. 

É muito, muito difícil voltar a trabalhar com um recém-nascido em casa. Não é nada fácil voltar a trabalhar quando você ainda está no começo do processo de adaptação desta nova vida. Não é fácil ter que interromper, por um período diário, o processo de aprendizado da amamentação. Felizmente, eu trabalho meio período, mas mesmo este meio período é uma tortura quando o seu filho ainda não aprendeu a mamar direito. Quando ele acabou de começar a recuperar todo o peso que havia perdido. Quando ele ainda não fazia a mínima ideia de como beber leite em um copinho.

A ideia de deixar o seu bebê que ainda nem havia aprendido a mamar com outro cuidador, foi dolorida. Uma ideia ainda mais dolorida quando este outro cuidador é um estranho, pois não tivemos família por perto no nascimento do pequeno. Nosso plano inicial era que meus pais viriam para ficar quando estivesse para voltar para o trabalho, mas o ataque cardíaco do meu pai meio que interferiu com estes planos.

Manter a amamentação exclusiva quando se volta a trabalhar é um desafio que requer muita disciplina e força de vontade. A verdade é que muito se fala sobre amamentação exclusiva até o sexto mês de vida do bebê, mas na prática, você não encontra muito amparo nas leis para que isto ocorra de fato. Volta-se a trabalhar muito antes dos bebê completar 6 meses de vida. Aqui nos EUA, hoje existe uma lei que requer que as empresas deem intervalos e espaço para as mães que amamentam poderem bombear leite, mas a verdade é que depende da sua linha de trabalho, dificilmente você vai conseguir este tempo. Eu trabalho em laboratório, em nenhum momento eu tive um tempo exclusivo da minha agenda que tenha sido direcionado a bombear. Não, enquanto eu passava laudo para o computador, eu estava lá com minha bombinha e sutiã de bombear para retirar leite. Aliás, amo meu sutiã de bombear e ele tem um papel mega importante nesta minha vida de leiteira J.

Enquanto estava nesta vida de dificuldades, encontrei grupos online sobre amamentação. Descobri entre várias amigas o quanto foi difícil amamentar para elas também. Curiosamente, apenas duas amigas me falaram sobre os possíveis problemas antes de eu estar neles. Após me jogar neste mundo de amamentação de todas as formas possíveis, eu aprendi muito e tristemente, aprendi que muita mãe por aí acaba não conseguindo amamentar simplesmente por que faltou orientação. Há tanto mito relacionado com a amamentação. Mitos que eu mesma acreditava, sobre leite secar, sobre baixa produção, sobre leite não ser suficientemente forte para o bebê... é muito triste saber que profissionais que deveriam auxiliar as mães, na verdade não tem o conhecimento para orientá-las a conseguir o que elas escolheram e repassam os mitos e informações equivocadas.

Faz 7 meses que amamento. Estamos em um período que chamo de lua de mel. Amo amamentar. Amo nossa troca durante a amamentação. Lutarei para que esta troca dure o máximo possível. Eu digo com todas as letras que não teria conseguido chegar onde estou hoje sem a ajuda de diversas pessoas. O principal que aprendi nesta minha história é que amamentar com sucesso não é algo que se faz sozinha. Tive a felicidade de encontrar pessoas incríveis que me ajudaram nesta jornada. Que confidenciaram sua história a mim. Espero que dividir a minha história possa acender uma luzinha na vida de alguém que passe por algo parecido neste momento.

É importante lembrar que ninguém é obrigado a amamentar. Não existe “menos mãe.” Cada um sabe de suas dificuldades. No entanto, é importante lembrar também que muitas vezes, as mães por aí tiveram a orientação errada e por isso não conseguiram amamentar. Por isso, questione, questione muito e boa sorte!

Thursday, January 8, 2015

Estou viva e tudo mudou!

Tem um bocado de posts que ainda quero escrever sobre a gravidez. Quero registrar muita coisa por aqui, mas vou começar pelo fim, já que as emoções ainda estão cruas.

O terceiro trimestre veio com suas próprias complicações, uma delas é que o pandinha não se encaixou na posição correta: a cabeça dele estava para cima. Optei por fazer um procedimento para virá-lo, mas não pude fazê-lo, porque durante o monitoramento pré-procedimento, o coração do meu pequeno desacelerou algumas vezes e vimos que meu líquido amniótico estava baixo, portanto não era seguro tentar virar o pandinha. 

Como Sr. Panda estava na posição errada, nós sabíamos que a cesárea ia ser a forma que ele ia vir ao mundo e minha cesárea estava agendada para o dia 5.01.2015, pois minha médica não queria que eu entrasse em trabalho de parto e colocasse estress no meu corpo. Por conta da baixa de fluído e o coração do pequeno que deu um sustinho, eu tive que passar a ir no médico dia sim dia não para monitorar o coração dele e medir o nível do meu fluído amniótico. Isto tudo começou no dia 17.12.2014 e neste dia eu passei a ter certeza que meu pequeno viria antes do programado, eu só não achava que seria poucos dias após o dia 17 e da forma que foi.

Fora o estress da própria gravidez e dos problemas da reta final, minha família e eu estávamos (estamos) passando por vários problemas, fora o câncer do meu pai, então posso dizer que o terceiro trimestre foi uma montanha russa emocional por milhões de motivos, mas acredite, nada perto do que ainda estava por vir. 

Meu aniversário é 19.12, e até rolou umas apostas se pandinha viria para roubar meu dia, mas ele respeitou o aniversário da mãe e ficou quietinho rsrsrs 

No dia 21.12.2014 eu acordei com uma das notícias que qualquer expatriado tem medo de ouvir, meu pai havia sofrido um Infarto Agudo do Miocárdio e estava em coma. Meu pai, havia morrido por 25 minutos e após o ressuscitamento, estava em coma.

Eu estava grávida de 37 semanas quando recebi uma das piores ligações da minha vida. Eu e meu marido (que felizmente estava em casa comigo) tínhamos como quase certo que meu pai não iria aguentar, por isso queríamos viajar para eu poder estar no Brasil. Uma grávida de 37 semanas que precisa de constante monitoramento, você como obstetra deixaria viajar? Pois é, minha obstetra também não me deixou ir.

Passei a fazer o que era possível naquele momento, falar com minha mãe para assegurá-la que eu estava bem, o bebê estava bem e que eu precisava de notícias constantes, e quando não estava no telefone, chorava compulsivamente. Viva os hormônios da gravidez. 

Meu pai estava na UTI, em coma e estavam tentando estabilizá-lo, isto tudo ocorria em um hospital que sei que não é bom. Tudo isso junto, fez com que meu nível de tensão fosse lá para o céu. Eu comecei a sentir contrações, mas elas eram espassadas. Tentei controlar meu estress para não afetar muito meu pequeno, mas admito que foi bem difícil.

Na madrugada do dia 22, eu acordei com vontade de fazer xixi e quando levantei, me molhei toda. Você sabia que apenas 10% das mulheres que estão grávidas neste país estouram a bolsa antes de já estarem no hospital no final do trabalho de parto?! Eu sabia :-) O que vemos nos filmes, normalmente só acontece em filme mesmo, então quando me molhei so acordar, eu me induzi a pensar que era urina, apesar de não cheirar a urina. 

1h30min após me molhar toda pela primeira vez, eu precisei ir ao banheiro novamente e um jato mais forte veio. Não havia mais dúvidas na minha cabeça, mesmo com a baixa probabilidade e de eu estar com 37 semanas, minha bolsa havia estourado. Meu pai estava em coma e eu estava trazendo o neto dele ao mundo.

Eu não fui imediatamente para o hospital, eu fui tomar banho, secar meu cabelo e finalizar minha mala. Depois que estava pronta, acordei meu marido para ele se arrumar. Ligamos para o hospital e avisamos tudo que havia ocorrido, obviamente eles mandaram eu ir para lá.

Cheguei no hospital e minhas contrações estavam mais forte e em intervalos menores. Isso era 4:30 da manhã. Eles testaram o líquido para ter certeza que era fluído amniótico e deu positivo. Começamos então o preparo para a minha cesárea. Minha pressão arterial estava mega alta, então me testaram para pré-eclâmpsia, que deu negativo. Minhas contrações e o coração do meu pequeno começaram a ser monitorados. As contrações estavam aumentando cada vez mais e ficando em intervalos cada vez menores. Lembra que a ideia era eu não entrar em trabalho de parto? Pois bem, não apenas entrei em trabalho de parto como a coisa todo estava progredindo rapidamente. 

As 6 da manhã eu fui levada para a sala de operação. Enquanto eles me levavam na maca, minha irmã ligou para avisar que meu pai havia saído do coma. Eu entrei em cirurgia com esperanças e eles lá no Brasil passaram a se preocupar também comigo que estava para trazer nosso pandinha ao mundo.

As 6:52 da manhã meu menino chegou. Como descrever o sentimento de quando seu filho sai de dentro de você? Acho impossível! Por aquele momento, quando meu marido me avisou que eles haviam tirado meu pequeno, eu só pensava nele! Na felicidade estampada no rosto do meu marido. Nas lágrimas que caíam dos olhos dele e ele nem percebia. Imediatamente, meu bebê foi colocado no meu peito. Eu virei mãe! Sim, o processo começa na gravidez, mas se concretiza com o seu bebê ali nos seus braços! Ele tão pequenino, estava ali chocado com tudo que havia passado e eu e o pai dele, chorando de felicidade!

Saí da sala de operação com meu pequeno nos braços, uma política que felizmente temos aqui no hospital que tive meu bebê. Não importa que o parto foi cesárea, mãe e bebê passam suas primeiras horas pele com pele, pequenino recebendo o peito! Imediatamente marido ligou para minha família. Meu pai estava respondendo ao tratamento, passei a acreditar piamente que o meu bebê iria conhecer o único avô que ele tem.

E foi assim que em menos de 24 horas um dos meus piores pesadelos parecia tomar forma, meu pai lutando por sua vida; e uma das maiores felicidades da minha vida se concretizou, meu sonhado pequeno estava em meus braços. 

Vocês sabem que não sou exatamente religiosa, mas milagre é a única palavra que consigo usar para descrever o fato que meu pai sobreviveu e está em casa. Suas faculdades mentais estão intactas, um milagre para quem morreu por 25 minutos. Ele não lembra muito do que aconteceu, só quando ele sofreu o infarto em casa e depois já acordando no segundo hospital. Alguns dias foram deletados da cabeça dele, mas não fazemos questão destes dias. 

Meu pequeno chegou antes do esperado, de uma forma dramática. Fez sua entrada neste mundo do jeito que ele quis. Meus dias são muito diferentes do que jamais foram. Sim, ainda estamos no período de adaptação, deprivação de sono e luta para estabelecer as mamadas, mas uma felicidade sem fim reina aqui em casa. 

Minha família tem um novo membro, um membro que eu, marido e Lua esperávamos ansiosamente e meu pai continua aqui, pronto para conhecer o novo neto.
 
Fonte: Arquivo Pessoal