Tuesday, June 25, 2013

Existe esperança?

Este post está no meu rascunho faz uma vida. O assunto sobre a explosão das bombas em Boston quase não aparece mais na mídia, mas eu acredito que o significado da minha indignação continua o mesmo. Aviso aos navegantes: o post é longo!

Eu não sou santa, nem tenho vocação para a santidade! Eu tenho raiva, eu tenho pré-conceitos, sou cabeça dura... Eu tenho milhões de defeitos!! Quem quiser é só perguntar para o marido que ele confirma rsrsrs No entanto, eu tento ser uma pessoa melhor. Tento mesmo fazer e agir de forma coerente e responsável. Procuro viver o que "prego" e acredito que tenho melhorado muito neste quesito!! Estou crescendo e me livrando de pré-conceitos. Mesmo quando discordo de alguém, eu mantenho minha educação e tento expor minha opinião sem ofender, nem sempre tenho sucesso. Eu aprendi que devemos sim falar o que pensamos, mas precisamos pensar de verdade antes de falar e não vomitar um monte de coisa que nem sempre condiz com a forma que de fato agimos.

Bom, tudo isso para falar sobre a minha indignação com a forma que a mídia e muitas pessoas estão lidando com o caso do ataque em Boston. O que os dois criminosos fizeram foi horrendo e o irmão que está vivo deve ser julgado pela atrocidade que cometeu, mas acho que em momentos assim as pessoas perdem um pouco da sanidade e se permitem mostrar uma face que é incrivelmente monstruosa (por isso que no meu post sobre religião falei sobre a minha falta de fé na raça humana).

O que me incomoda?! Muitas coisas rsrs mas quero falar do grande foco que dão à nacionalidade dos dois indíviduos, quando na verdade, eu acredito que a principal questão aqui é pq tantos jovens, principalmente na América do Norte, cometem tantos crimes hediondos?!

Antes de eles serem imigrantes, estes dois criminosos são seres humanos. O irmão mais novo então, passou mais da metade de sua vida no EUA. Então me incomoda muito o fato que todo mundo xinga e grita sobre eles serem estrangeiros. O principal foco é que a América abriu as portas de uma vida perfeita, e estes dois estrangeiros ingratos retribuiram com ódio. Como se a pessoa ruim deixasse de ser ruim por mudar de país, ou só quem comete uma atrocidade assim no USA é estrangeiro.

Se ser estraneiro é um fator contudente para estes dois, como que se explica Adam Lanza que tirou a vida de 27 pessoas, sendo 20 crianças de 6 anos de idade?! Ou então sobre James Holmes que matou 12 no cinema?! Ou se é para se ater a ataques com bombas, falemos então de Terry Nichols e Timothy McVeigh que mataram 168 pessoas em um ataque em Oklahoma City. Ou então Eric Rudolph em Atlanta que matou 2 pessoas e feriu 111... Sabe o que todos estes têm em comum?! Não é o fato deles serem estrangeiros, mas sim que eles todos estes HOMENS estavam entre 18-35 anos de idade quanto cometeram os crimes! There is a pattern here!

Pq a forma que os irmãos Tsarnaevs são tratados é questionada? Eles não merecem ser tratados de acordo com a justiça americana, quando todos os outros criminosos que citei podem? De acordo com muitos, não. O irmão que foi morto pela polícia não pode ser enterrado e o que está vivo merece ser deportado, não vamos esquecer que como ele é cidadão americano ele deve ser banido do país, e não deportado. Por eles não terem nascido em solo americano, eles não merecem ser tratados da mesma forma que os outros criminosos? E digo mais, mesmo se eles tivessem nascido em solo americano, as pessoas se apegariam ao fato de que os pais deles não são americanos e sim de países "que geram terroristas."

E aí, discursos ufanistas como o desta senhora que está intitulada como Judge me incomodam. Eles me incomodam mto, pq é sem foco, sem coerência, sem consistência e cheio de argumentos impertinentes ao caso. Eu fico aqui desejando que o título dela fosse imaginário, pq na minha opinião, ter uma juíza com este discurso representando a justiça americana é uma vergonha!

E sabe o que discursos como este geram?! Situações como esta!!
O vídeo em si mostra atores encenando a situação para ver a reação das pessoas, mas a consultora que os ajudou com o vídeo viveu situações similares.

Acho muito errado esta sede de vingança que é tão difundida e apoiada. Acho errado essa discriminação justificada (para eles) que se prega após um ato como este. E acho muito errado esta coisa de "olho por olho, dente por dente!" E se tem alguém que acha que eu penso assim pq nunca vivi algum tipo de crime violento, só posso dizer que vc não conhece a minha história e não conhece a história da minha família. Não sou santa, mas não vou mesmo me igualar ao criminoso, quero ser justa e coerente. Não acredito que ter sofrido algo me dá o direito de agir como um monstro. (Para esclarecer, legítima defesa é muito diferente de vingança)

E acima de tudo, não concordo com "dois pesos duas medidas" como está ocorrendo com os criminosos que citei. Não me recordo de ter lido nada à respeito de manifestações de ódio quando o corpo do Lanza estava no funeral house. Não importa quem cometeu o crime, todos os criminosos merecem o mesmo tratamento. E quero deixar bem claro que não acho que eles devam ser tratados com regalias, não é isso. Só acho que eles devem ser tratados da mesma forma!
Não está certo ser monstro pq foram monstruosos com a gente, não existe passe livre para isso não. Em momentos como este é que conhecemos o verdadeiro eu das pessoas e olha, é um eu muito feio!

Friday, June 7, 2013

Um mês para celebrar

Os acontecimentos recentes tornaram o mês um pouco difícil. Alguns dias são muito melhores do que outros, mas a vida é asim né?! E ela não pára para quem ficou para trás!

Apesar dos pesares, neste mês há muito o que celebrar por aqui. Faltam 3 semanas para a residência médica do marido acabar, e pq a University of Michigan adora uma social rsrs o mês está lotado de eventos.

Eu sei que quase nunca falo da vida profissional dele, e não é pq ele se incomode com isso, é só que prefiro ficar nas minhas neuroses rsrsrs Mas ele merece um post especial :)


Marido percorreu um longo caminho, um caminho que começou muito antes de eu entrar na vida dele. O primeiro step foram os 4 anos do bacharelado em Psico-Neurosciência - n sei um curso equivalente no Brasil. O second step foram os 4 anos na faculdade de medicina. (o sistema americano é diferente do Brasileiro, este link explica um pouco sobre como as coisas funcionam aqui).

Em seguida, veio a escolha de fazer a residência médica no programa med-peds. Isto significa que o treinamento dele foi em Internal Medicine (medicina adulta) e Pediatrics (pediatria). É uma residência mais longa, com mais horas de plantão que os outros programas, mas que é o ideal para a carreira que eles escolheu seguir -- Intensivista Pediátrico (no EUA, em alguns casos, pacientes muito além dos 20 anos vão para pediatria). Em Julho comeca o next step, que é o Fellowship na Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica da Universidade de Michigan.
Passamos por muitas coisas nos quatro anos de residência. Eu fiquei desempregada, meu sogro faleceu, teve planejamento de casamento, casamento, meu pai com cardiac arrest na noite anterior ao casamento, eu internada com hemorragia, e na reta final, a morte da minha avó... A vida veio de enxurrada, e marido foi minha rocha. Isso com um trabalho de mais de 80hs dentro do hospital, mais incontáveis horas de trabalho e de estudos em casa.

Eu tenho um orgulho danado do meu marido!! Lógico que minha opinião é parcial rsrs Mas não sou só eu que digo que marido é um médico competente! Os colegas e diretores sempre comentam :) Marido também recebe cartas de agradecimento de pacientes, pedidos para que ele vire o PCP (é o médico de consultas ambulatoriais) e os pacientes ficam tristes quando ele explica que no próximo ano ele não vai mais trabalhar em ambulatório. Alem de competente, ele é passionate pelo que faz e passionate pelos pacientes.

A decisão do marido de se tornar médico veio desde muito cedo. Quando ele se mudou para o USA, ele não falava uma única palavra em inglês. Marido tinha 8 anos de idade. Ele era o único asiático em uma pequena ilha aqui em Michigan -- Grosse Ile. Os professores e os alunos foram extremamente receptivos já no primeiro dia de aula. Coleguinhas ficavam horas extra na escola para ajudá-lo com o inglês. Ele foi aceito na comunidade sem preconceitos e com muita paciência. Ele cresceu com este imenso sentimento de gratidão, e na adolescência decidiu que uma boa forma de retribuir o que um dia fizeram por ele, era se tornar médico para ajudar a comunidade. E assim ele o fez. Não é uma história fofa?! Eu acho rsrsrs

Marido merece todas as celebrações deste mês!! É um capítulo que se encerra! Ele trabalhou duro para chegar onde chegou, e eu sou incrivelmente grata por ter conhecido alguém tão especial que me proporciona tanto orgulho!!