Friday, April 29, 2011

Eu e a Reprodução Humana Assistida

Ao escrever o post sobre o meu trabalho, recebi alguns emails com dúvidas a respeito de fertilidade.
 
Quando resolvi criar um blog, decidi que escreveria o que viesse a cabeça, e lógico os dois maiores subjects seriam o casamento e o noivado. Após o dia do desabafo rsrs percebi que, mesmo que o trabalho não era inicialmente um subject que veio a mente para o blog, com absoluta certeza vocês vão encontrar mais posts relacionados ao meu trabalho, que definitivamente ocupa um grande espaço da minha vida. Não esquecam que, tudo é sobre a minha óptica, meu conhecimento e minhas experiências! 
 
Eu e a Reprodução Assistida temos uma história que se iniciou há muitoto e muitos anos atrás (nem tantos vai, só tenho 27 anos rsrs) Quando criança, nunca sonhei em ser biomédica (venhamos e convenhamos, até hoje muitos adultos não sabem exatamente o papel de um biomédico, imaginem uma criança dos anos 80/90?) Pois é, ser biomédica não era um sonho, mas enquanto muitas das meninas estavam pensando em casamento, ser princesa, modelo ou qualquer coisa parecida; eu havia decidido e dizia para os 4 cantos que seria uma mulher que não casaria e teria um "bb de tubo" (feminista mirim no modo on hahaha), imaginem a cena?!, Quem manda pai e mãe deixar a criança assistir muito jornal rsrs E assim comecou minha história com a Reprodução!rsrsrs
 
A Medicina Reprodutiva ainda é considerada um bb. Ela teve seu "boom" no final da década de 70, com o nascimento do primeiro bb de proveta: Lousie Brown, hoje com 32 anos. Acreditem, mesmo com tão pouco tempo esta especialidade têm feito avanços impressionantes, e se mostra cada vez mais atuante e necessária na sociedade atual. 
 
Não vou ficar aqui dando milhares de detalhes sobre a evolução da Reprodução Assistida e bla bla, mas a primeira coisa que quero deixar marcado aqui é a importância de se consultar um especialista, em caso que você esteja enfrentando problemas com a fertilidade. Entendam que nem todo ginecologista e/ou obstetra são especialistas, e com isso pacientes acabam perdendo um precioso tempo com opções e julgamentos ineficazes e errôneos. O que estou querendo dizer aqui é, se vc tem uma dor de ouvido vc vai procurar o cardiologista ou o otorrino?? Pois é, não pense q é uma comparação esdrúxula, pq é a mais pura verdade. O corpo humano é extremamente complexo, por isso a necessidade de profissionais cuidando de uma área específica. Sou da teoria que qm faz de um tudo acaba não fazendo nada direito. Este é um conceito que aplico não apenas as áreas da saúde; o faz tudo, na minha opinião, é um quebra galho. Quando vc precisa de uma solução eficaz e definitiva vc procura um especialista, seja la no que for, até as coisas mais simples, como um cabeleleiro.
 
Acreditem, os especialistas existem por uma razão, que não é ganhar dinheiro na costas de pacientes (ok, eu sei q existem mtos por aí q só focam nisso) eles existem para que cada problema tenha uma solução pertinente e eficaz. Pensem nisso para qqr situação que vc esteja lidando agora, como disse, não acredito no profissional q se proclama "fazedor de tudo", acho q a qualidade cai qndo não estamos focados, e profissionalmente não vai ser diferente, se tentamos engolir o mundo, coisas escapam.
 
Podemos ser bons em mtas coisas, mas não dá para ser muito bom em tudo!

O casamento Real

Como qualquer mortal com csamento marcado, eu fui sim curiosar o casmamento real rsrsr. Achei o pré casamento mtooooooooo chato! Ah fala sério, time line com fotos da futura esposa; detalhes da madeira que foi usada para medir a distancia entres os copos reais... enfim, esse monte de informação mais que desnecessária o tempo todos nos jornais, encheu o saquinho né? Mas vamos lá, quase todo mundo ficou curioso para ver como ia ser o bendito vestido da noiva hahaha.
 
Não assisti o bendito casamento em tempo real, mas vi fotinhos e comentários das amigas blogueiras e twitteiras, e baseado na informação que tenho, vou expressar minha opinião :)
 
Achei  muito fofa a forma que o William se portou! Para mim, ele parecia genuinamente emocionado e apaixonado, ou no pior das hipóteses, ele e' um grande ator rsrs.
 
A Kate estava linda!! Eu usaria o vestido dela?? Jamais! Mas acho que expressou o que ela é, do cabelo aos pés. E isso sim me impressionou e fez com q eu achasse que ela ficou deslumbrante!
 
from Google Images
 Achei o máximo que ela foi uma noiva comum, e adotou aquilo que a maioria das noivas hoje em dia querem adotar: escolher vestido, cabelo maquiagem que representem sua personalidade, e não aquilo que os outros querem em você! O vestido era simples, pq ela é simples!! Dessas milhares de fotos que apareceram dela, nos últimos tempos, em qntas vimos ela com um vestido cheio de coisa?? Não consigo me lembrar de nenhuma! O vestido dela era charmoso e retratava ela, sim ela poderia ter um vestido mais trabalhado, sem sombra de dúvida. O vestido representaria ela da forma que este representou?? Duvido mto! O cabelo a mesma coisa. Não me lembro de vê-la com cabelo preso, ou com algum super penteado, e foi este o estilo que ela manteve para o grande dia. Achei bárbaro! Novamente, eu usaria o cabelo do mesmo jeito?? Não, mas adorei, pq representou exatamente a imagem que acredito que ela sempre transmitiu!
 
Mesmo com toda a obrigação social que este casal têm, eles me supreenderam, pois aparentemente o relacionamento é real!! Sim, eles seguiram toda a pompa e circunstância que a posição deles exigem, mas eles fizeram acima de tudo, o casamento da Kate e do William! E isso sim, e' muito mas muito bacana de se ver!
 
Da mesma forma que eu adoro ver fotos expressivas de casamento reais, aqueles casamentos que o sentimento está transmitido no olhar do casal,  eu adorei ver as fotinhos do Duque e da Duquesa, pois achei as fotos bastante expressivas.
 
from Google Images
Esse olhar parece bastante genuíno para mim!
 
Eu desejo que este casal consiga driblar toda a fanfarra que irá cerca-los o resto da vida, e desejo para eles e todos os milhões de recém casados "out there", muita mas muita felicidades!
 
 
 
 
P.S.: Ok, não gosto de julgar nunca a forma das pessoas se vestirem, mas me fala o q foi aquele look da Victoria Beckham?? rsrs

Wednesday, April 27, 2011

USCIS

Como já comentei por aqui, eu estava no processo do AOS (estava, pq a ultima entrevista foi na semana passada, yay!)
 
Prometo que um dia com muita, mas muita paciência darei detalhes sobre a minha história com a imigração, hoje vai só uma pontinha rsrs 
 
Um resumo: nunca apliquei para o K1 ou K3, meu trabalho sempre foi meu sponsor. Com o casamento marcado, eu e namorido resolvemos casar no civil para adiantar tota a papelada do Permanent Resident, assim eu não precisaria mais sofrer com riscos do trabalho ou se mudarmos novamente de cidade (uma outra novela, que quando me inspirar contarei rs).
 
Enfim, demos toda a entrada na papela em Janeiro e esta semana recebo meu Permanent Resident Card!! Não posso reclamar, o processo não foi tão demorado assim!
 
Mas este post é para falar da minha entrevista final! No dia da entrevista, eu estava tensa e apesar de toda a nossa situacao ser totalmente regular, não consegui me sentir totalmente segura com parte da minha vida nas mãos de uma pessoa que poderia estar de mau com a vida e simplesmente ignorar toda nossa história.
 
Dei sorte, rsrsrs.
 
O agente do USCIS foi até a porta da sala de espera para nos receber, e ali mesmo se desculpou por estar 5 minutos atrasado \o/ Ao entrarmos na sala dele, antes de nos sentarmos, ele nos fez jurar em dizer a verdade (igual dos filmes rsrs) e nos mandou sentar.
 
Não tenho muita certeza qual era a minha cara e a do namorido, mas o agente falou que poderímos nos sentar relaxados na cadeira, ele disse que nosso caso era bem "straigth forward" e que ele precisava, apenas, fazer algumas perguntas obrigatórias!
 
As perguntas relamente foram bem básicas: nome do meu pai; da minha mãe; o meu nome (antes e depois do casamento), quando a última vez que sai do país e para onde fui; se eu havia cometido algum crime (as mesmas perguntas do I485) e pediu para que um de nós falássemos como nos conhecemos. Perguntou se nós queríamos perguntar alguma coisa, e depois de 10 minutos que entramos na sala dele, ele me avisou que o meu Permanent Resident Card estaria vindo do Missouri e que chegaria na minha casa em 12 dias!! O pacote enorme de documentos e fotos que levamos, continuou fechado no meu colo, ele não olhou absolutamente nada!
 
Mais tarde, ainda no mesmo dia, no site da USCIS já estava o update de que meu PRC havia sido aprovado e que o receberia via correio.
 
USCIS, devo dizer, surpreendeste-me muito positivamente! rs

Saturday, April 23, 2011

Eu e o vestido de noiva

Lendo o post da Ise do NMN, me inspirei para falar da escolha do meu vestido de noiva...
 
Quando eu e o namorido decidimos a data e a igreja, meu próximo passo foi começar a pesquisar vestidos. 
 
Vejo a maioria das noivas inciando o processo de escolha e compra do vestido muito mais próximo ao casamento, mas como já expliquei por aqui, minhas compras levam tempo para serem finalizadas rs. Mas devo dizer que eu dei sorte, e estou com meu vestido comprado dede Dezembro/2010 hahaha. 
 
Como todas as noivas, minha intenção é um casamento com a minha cara e a do noivo, consequentemente, o vestido de noiva precisaria refletir minha essência (verdade seja dita, nunca achei que iria casar, por isso nunca sonhei com vestido de noiva rsrs).
 
Sou a caçula de 3 meninas que tinha tudo para nascer com complexo de princesa, mas saiu torta rsrs. 
 
 
foto from Google Images
 
Acreditem, adoro contos de fadas e histórias de princesas, mas nunca me imaginei como uma. Sempre fui uma "tomboy", para vcs terem uma idéia, minha primeira bicicleta (de segunda mão) originalmente era azul e parecia uma mini moto com rodinhas rsrs!! Amei de paixão, mas para não sofrer discriminacao, meu pai pintou a bicicleta de rosa!! Sucesso, era a única no bairro com uma motoca rosa!! Nenhum frufru ou cestinha, mas tinha um tanque na parte da frente que podia guardar minhas tranqueiras hahaha.
 
Mais crescidinha, eu passava as minhas tardes com uma amiga (hj tbm madrinha de casamento), meu primo e mais a mulecaiada da rua, enfiados em um terreno baldio com o mato super alto brincando de guerra. Eu posso ir on e on sobre a minha infância cheia de peripécias masculinas, mas esta não é a idéia do post. 
 
Na faculdade... fiz amigas fofas e super femininas, que me aceitaram como era hahaha E eu era a menina que tinha uma coleção gigantesca de havaianas e que estava sempre na roda dos meninos rsrs Minha primeira maquiagem eu só comprei quando minha irmã casou, afinal eu havia perdido meu kit de emergência para situações em que uma maquiagem se fazia necessária (coisa rara).
 
Bom, acho q já deu para preceberem que noiva aqui jamais combinaria com vestido princesa... Aliás, eu e meus míseros 1,60 cm iriam desaparecer dentro de um vestido bufante.
 
Não me acho modernosa, namorido sempre brinca que ele ainda não decidiu se minha alma tem 60 ou 120 anos (baseado no que eu gosto) rsrs mas eu tinha certeza que precisava de um vestido de noiva mais clean que os que sempre vi! 
 
Com as minhas buscas por vestidos on line, percebi que acho os de renda lindo, romantico... o verdadeiro retrato de um casamento, mas não consigo me ver em um. Quando descobri Maggie Sottero, não consegui olhar vestidos de outro estilista. Ela tem de tudo, do vestido mais bufante ao mais modernoso, e eles vestem maravilhosamente bem!!
 
Visitei algumas lojas e minhas regras para as vendedoras eram: sem renda, a saia não podia ser bufante, sem aplicação de pedraria exagerada (podia ter um detalhe), sem brilho, tecido mais leve (casamento no verão) mas que ainda parecesse vestido de noiva e não um vestido de madrinha em branco rsrsrs Na MINHA opinião, muitos vestidos de noivas que vejo por ai ficariam perfeitos para madrinhas rsrs
 
Eis que Maggie Sottero realiza o sonho desta noiva menino e a presenteia com o vestido perfeito!!  (Não posso dizer o modelo por aqui, o namorido pode ver rsrs) Mas acreditem, ele é super clean, têm um detalhe com pedras próximo ao quadril, não tem a saia bufante, mas tbm não parece um vestido reto (por baixo da saia tem uns saiotes para dar uma impressão melhor rsrs), ele é super leve e hiper confortável! 
 
O meu conselho para quem esteja à procura do vestido de noiva. Primeiro, descubra o seu EU, pq vc vai encontrar vestidos maravilhosos que qndo vc provar, se sentirá horrível pelo simples fato de que ele não é seu estilo;  Descubra o que vc gosta, não há razão para vc mudar sua essência no dia do seu casamento, tendência é tendência e não uma regra; E mais do que tudo, acho q vc precisa se sentir confortável e segura no seu grande dia e só assim vc estará radiante e linda! Usar o vestido do estilista da moda, que não combina com sua personalidade não fará de vc a noiva linda e perfeita que vc imaginou para o grande dia! Seja fiel ao que vc gosta, a sua personalidade e ao que vc sonhou, o que funciounou para aquela noiva do jornal, necessariamente, não funcionará para vc!!
 
E que vcs sejam felizes para sempre ;)

Wednesday, April 20, 2011

Pq alguns dias são simplesmente mais difíceis que outros...

Hoje o post não é da noiva e muito menos da expatriada, é um puro desabafo do ser humano que se envolve e comove...
 
Como já mencionado no blog, sou biomédica e me especializei em Reprodução Humana Assistida (aliás, foi a profissão que me trouxe para o EUA).
 
Eu acredito que em qualquer área da saúde, os profissionais tentam racionalizar sua relação com o paciente. Não é uma questão de desumanizar a relação paciente/profissional, mas sim uma necessidade para se manter a objetividade na tomada de decisões pois acredito que, do contrário, as nossas ações ficam comprometidas e deixamos de ser útil para o paciente. Entendam que não defendo, de forma alguma, profissional grosseiro que trata paciente como número e são totalmente descomprometido com o juramento que fazem ao se formar. Acredito sim, que podemos racionalizar e continuarmos humanos com o paciente.
 
Bom, eu sempre me preocupo e gosto de conhecer individualmente cada paciente que receberá algum procedimento meu, o que só consigo por conta da política da clínica que trabalho hoje, pois isso não acontece em todos os lugares pelo qual já passei... Enfim, dentres diversos casais que são tratados na clínica, há um específico que me comoveu desde o começo. Foi empatia imediata, aliás, todos por aqui adoram eles - super conscientes, entedem nossa situação como profissional e cooperam conosco. Verdadeiros amores que claramente demonstram o quanto estão ansiosos por um filho.
 
No início de 2010 eles ficaram grávidos, mas ainda no primeiro trimestre, infelizmente, eles sofreram um aborto espontâneo. No final do ano passado, novamente recebemos a boa notícia de que eles estavam grávidos. Fechamos o ano com chave de ouro! 
 
Infelizmente, ontem nos reunimos com o casal após eles, novamente, sofrerem um aborto espontâneo. Foi uma reunião difícil, doída... Em casos como este, aconselhamos o casal a realizar uma pesquisa genética no bb, para que se determine se há alguma alteração genética que esteja atrapalhando o curso da gravidez e também determinamos qual era o sexo do bb. É muito complicado discutir os resultados com os pais que acabaram de sofrer uma perda, mas é uma reunião necessária. Com este casal, para mim, foi a reunião mais difícil que tive até hoje, e qndo os pais soltaram "perdemos o nosso menino" eu não consegui mais continuar na sala, foi impossível segurar as lágrimas... A frustração até agora é gigante, e me sinto tão limitada...
 
Ainda não sabemos qual será o proximo passo com o casal, eles estavam mto abalados para decidir qualquer coisa agora...
 
Como profissional, estou mais do que ciente das estatísticas e de todos os números que envolvem os procedimentos da Reproducção Assistida, mas algumas vezes estes números desaparecem e deixo de ser a profissional e me torno o ser humano indignado e frustrado q se comeve, se envolve e que questiona os milhares de pqs, que simplesmente são impossíveis de se responder...

Wednesday, April 13, 2011

Eu e o EUA

Vir pra os EUA nunca foi, para mim, um sonho, meta, desejo ou qualquer coisa parecida. Meu top 3 era Peru, França e Nova Zelândia. A grande verdade é que nunca vi nenhum atrativo na terra do Tio Sam. Gosto de história antiga, esportes radicais, arquitetura.... e nenhum destes é, necessariamente, o ponto forte norte americano. Nunca tive a mínima vontade de aprender inglês (aprendi por pura obrigação) e se tivesse que aprender, que fosse o inglês britânico e seu sotaque, que acho Divino!

Minha opinião sobre os norte americanos era de ser formado por: povo egocêntrico, intrometido e pré-conceituoso. Ok, eu admito que meu pensamento também era pré-conceituoso rs, e sempre me irritou, profundamente, brasileiros que idolatravam os EUA. Àqueles que quando em um bate papo, só sabe falar como os EUA é milhões de vezes melhor q o Brasil e blá blá blá, em uma competição que até hoje não faz muito sentido para mim. Eu acredito que está mais do que na hora dos, muitos, brasileiros aprenderem a ser criteriosos à respeito de sua opinião, e não deslumbrados.

Enfim, interagir com norte americanos me ensinou que eles não são de todo o mal rsrs. Aindo os considero, em grande parte, egocêntricos, intrometidos, preconceituosos e outras características que aprendi por aqui rs. No entanto, aprendi que há muitas excessões e que onde você mora, faz uma grande diferença, como em qualquer outro país.

Ao chegar nos EUA, fui recebida de braços abertos por desconhecidos. Meus roommates e colegas de trabalho me receberam como parte da família, o que foi fundamental em momentos em que a saudade da família que deixei para trás, era insuportável. Encontrei pessoas que mudavam todos os seus planos do dia para ficar em casa com uma brasileira deprimida; pessoas que me estimulavam a falar, mesmo que errado, para que eu de fato aprendesse a língua, pq errar nunca foi vergonhoso. No trabalho, eu encontrei o mesmo estímulo e suporte.

Não, não foi tudo um mar de rosas... Encontrei diversos "idiotas", preconceituosos e cheios de estereótipos. Já escutei: "Nossa, vc fala inglês?", aparentemente não somos capazes; quando uma música em espanhol começa a tocar: "Olha, está tocando música brasileira."; ou quando me espantava ao ver algumas roupas minúsculas e o esfrega esfrega em bares: "Mas vc é brasileira, está acostumada". Quero fazer um adendo aqui, não estou dizendo que no Brasil não encontramos: esfrega esfrega ou qualquer outra coisa citada, mas para mim, foi um contraste cultural sim. Estes atos são considerados "comum" nos EUA, é como beijar na boca na rua: por aqui causa certa estranheza, no Brasil é comum.

Posso dizer que já vi e escutei muita coisa que me deixou/a emputecida, mas aprendi que, muitos destes comentários nascem não só pela ignorâcia (do conhecimento) dos norte americanos, mas também pela própria imagem que nós brasileiros, muitas vezes, vendemos.

Qual o principal produto brasileiro? Carnaval; as notícias que gritamos para o mundo todo? Violência, tráfico, desorganização, corrupção... Entendam que, não estou dizendo que deveríamos esconder nenhum dos nosso problemas, mas nossos problemas internos deveriam ser resolvidos internamente, e deveríamos vender as coisas boas que temos, não apenas as ruins.

Existe muito brasileiro que adora falar mal do Brasil. Uma conhecida, norte americana, me perguntou como eu havia me formado na Universidade, pois uma conhecida dela (brasileira) havia dito que mulher, no Brasil, não podia ir para cursos de ensino superior. Agora me fala, quem acaba com a nossa própria imagem?!

Qual é o único país que leva um representante estrangeiro para conhecer um dos maiores problemas do país: as favelas? Novamente, não é que devemos esconder e nos envergonhar, mas quando estamos para "vender um produto", o normal é exaltar as qualidades. Eu não vejo o Obama levando seus visitantes para Detroit, certo?

Voltando ao "main point" do post (já divaguei demais, sorry rs). Vir para os EUA, me reafirmou que toda moeda possui dois lados, e que antes de julgarmos baseados em certas informações, devemos confirmá-las. Acredito que, acima de tudo, devemos ser realistas, pois seja no Brasil, EUA, Japão... qqr canto do mundo, há uma listinha de prós e contras, e baseado nesta lista será possível decidir qual o país que melhor atende nossas necessidades no momento que estamos vivendo, pq nada é para sempre, e todos possuem defeitos.

Monday, April 11, 2011

Decisões do dia D: A Igreja

Nasci em uma família católica, mas meus pais sempre me deram liberdade para decidir tudo em minha vida, inclusive religião. Por isso, curiosa como sou, já li muito, já visitei as mais diversas religiões e formei minha opinião sobre tudo que aprendi.

O namorido, japonês, cresceu sem nenhuma religião, daqueles que achava religião uma tremenda estupidez.

Alguns anos juntos, e o fato de eu ter estudado muito sobre as mais diversas religiões, foram suficientes para que o namorido aprendesse uma visão completamente diferente, sobre fé e eis que vamos celebrar o nosso casamento na igreja católica! (Digo aqui que tenho fé, e acredito em muitas coisas, mas não frequento igreja ou nenhum templo, ou seja lá o que for. Minha relação com a igreja católica vai muito além da representação da religião dos católicos).

Enfim, decidido que o casamento seria celebrado na igreja católica, hora de definir a data e agendar na igreja. Então os problemas começaram rs...

- Namorido e eu contamos com apenas duas semanas de férias por ano, por isso era necessário que nossas férias combinassem com perfeição;
- Minha família é 3 vezes maior que a dele, e meus pais se recusam a entrar em um avião por 11 horas. Sem meus pais não caso, logo, casamento no Brasil!
- Metade dos padrinhos também sairia dos EUA, logo, férias complicadas...

Com todos as nuances para a escolha da data, decidimos que próximo ano Natal seria o idela, já que seria mais fácil para todos conseguirem férias, pois muitos lugares dão dias extras por conta do período de festas.
Ok, 17/12/2011, perfeito, próximo ao meu aniversário e o fim de semana que antecede o Natal, além de aumentar nossas férias com os dias extras, poderia passar datas tão importantes com minha família.

Data decidida, hora de ligar para a igreja que acho linda e que por coincidência o padre poderia celebrar o casamento em inglês/português, além de ser o tamanho perfeito para o meu casamento de poucos convidados: A Capela da PUC de SP.  Alegre, feliz e sorridente, com um ano e meo de antecedência, ligo para minha Capela querida... Surpresa, outras 6 noivas escolheram o mesmo dia e foram muito mais rápidas do que eu. O pobre coração desta noiva que vos escreve despedaçou... O fim de semana seguinte seria Natal e agora José? Respirei fundo, e de olho no calendário rapidamente questiono sobre o dia 10 " O horário X é o único disponível para este dia", sem pensar, consultar o namorido, ou respirar reservei o dia 10 rs.

Não era o que queria, mas próximo o suficiente, e como queria que queria que o casamento fosse na Capela da PUC, minhas opções ficaram bem limitadas. Ok que iríamos perder os dias extras de Natal, que passaria o primeiro aniversário e Natal sem a família (naquela época ainda não sabia que o meu niver, Natal e Ano Novo de 2010 seriam depressivos sem a família), e que ficaria um pouco mais complicado para os padrinhos, mas casar na igreja desejada vale o sacrifício.

Convencida de que foi a atitude mais correta, crio coragem para cientificar o noivo. Coragem, porque afinal este é o NOSSO casamento e determinei a data sem nenhuma consulta prévia rs...

Eu: Babes, fui obrigada a marcar o casamento para o dia 10 pois a igreja já não tinha horário para o dia 17...
N: Sério, com um ano e meio de antecedência eles já não têm mais a data?
Eu: Pois é, parece que as pessoas andam casando muito em SP... (revirando minha cabeça para montar uma tese de defesa sobre o dia 10...)
N: Cool, ficamos noivos no dia 9, nosso casamento civil será no dia 8 e o religioso no 10!! Nunca vamos esquecer os dias!!

Me diz se não é para casar com esta pessoa?! rs

E assim ficou, o casamento será no dia 10/12/2011, na lindíssima Capela da PUC!

Wednesday, April 6, 2011

A comida e eu eu e a comida na terra do Tio Sam

Para mim, o maior choque quando vim para o EUA foi a comida. O choque foi tão grande que no primeiro mês perdi mais de 5kg.

Não é que os norte americanos se alimentem de coisas absurdamente diferente da dos brasileiros (este troféu vai para os chineses rs) mas é que a comida por aqui é sem sabor. Se eu disser que esta é uma regra em todo o país eu o faria sem conhecimento de causa, e sei que cada região daqui sofre influência específica, por isso vou me restringir ao norte, que é onde moro. E por estas bandas, eles não são mto familiares com tempero rsrs.

Por aqui, existe molho para tudo (nunca ví tanto molho diferente para salada, em toda a minha vida) carne vermelha, frango, hamburguer, peixe... tudo têm um molho para acompanhar o prato, e é aí que mora o problema: odeio molho pronto! Nunca gostei, ketchup, mostarda e maionese nunca fizeram parte da minha dieta.

Ok, eu admito, sou chata para comer. Eu não bebo café, não como chocolate, não como carne que estiver ligada a osso ou com cor diferente (sabe a carne mais escura do frango?), não como comida que mistura doce e salgado, e assim a lista vai on and on!

Eu gosto de comida fresca com temperos frescos, igual da minha mãe que vai a feira toda semana e prepara os temperos usando ervas frescas ;) Eu até como fast food, esporádicamente, para o dia a dia eu preciso de "sustança" rs e o fast food te empaturra, mas não te sustenta.

Sempre cozinhei, mas por aqui aprimorei minhas técnicas rs. Já que a comida norte americana não me apateceu, aprendi a adaptar o que tenho por aqui :) Admito que meu paladar também se adaptou a muitas coisas. Hoje como com menos sal e nem sequer tenho açúcar em casa, mas uma comidinha bem temperada eu não abro mão.

Nunca convivi com norte americano com dieta super calórica, e isto foi ótimo, porque não precisei me preocupar em mudar dramaticamente a dieta do namorido!!

Algo que sinto muita falta por aqui são frutas com sabor. Por estas bandas elas são lindas, enchem os olhos, mas parece que você está mastigando esponja. Admito que as frutas de clima frio (morango, framboesa, cereja e as berries) são saborosas e mais baratas que no Brasil, mas todo o resto é uma grande decepção. Sinto uma saudade absurda de manga, laranja bem azedinha, abacaxi... só de lembrar estou salivando rs.

Massssss, como ser humanos adaptáveis que somos, me acostumei e aprendi que não é nenhum fim do mundo aprender a comer coisas novas!

Monday, April 4, 2011

A escolha da assessoria.

Não tenho nenhum padrão específico sobre os temas que abordarei no blog. Minha idéia é escrever sobre o que me vier na cabeça, e por razões óbvias viver no EUA e a organização do casamento serão os carros chefes por aqui. No entanto, prometo que volta e meia vocês encontrarão assuntos não relacionados a estes dois tópicos (não hoje rs).

Hoje quero falar sobre a escolha da assessoria. Muitas pessoas ainda torcem o nariz para este serviço, e acham que é algo "para gente metida que tem dinheiro para gastar", ou ainda "coisa de noiva preguiçosa que não quer colocar a mão na massa e quer apenas ser chefe". Acreditem, já escutei cada absurdo que não vale ficar aqui detalhado. Eu acho que, lentamente, este pensamento está mudando, ainda há esperança para o pré-conceito rs.

Para mim ter assessoria é uma questão de necessidade, e não só pelo fato de organizar um casamento a distância pois tenho certeza que se estivesse no Brasil também contrataria o serviço.

Assessoria não deve ser um gasto adicional no seu casamento. Um prestador de serviço competente conseguirá descontos que você noiva mortal, muito possivelmente, não conseguiria sendo assim, a Assessoria acaba pagando pelo próprio serviço com os descontos adiquiridos. A sua assessora deve ser uma ferramenta que auxilia os noivos a conseguirem o tão desejado casamento no orçamento idealizado, eles também facilitam os contatos com fornecedores de qualidades, e acima de tudo, te traz paz de espírito no grande dia rs.

A escolha da assessoria, como todo o resto do casamento, deve ser pesquisado e escolhida por competência e afinidade, e não apenas por ter um nome famoso no mercado. A grande verdade é que com o tempo e pesquisa vamos percebendo que nem sempre o fornecedor badalado é a melhor escolha, mas que o maior preço está garantido. Ainda não entendo como alguns fornecedores se tornaram tão famosos, mas não estou aqui para discutir isto ;)

Após pesquisar muito sobre as possiveís assessorias, busque sugestões, verifiquem se são uma empresa real e todas as outras preocupações que você deve ter para todos os quesitos do casamento. Após diminuir sua lista para os possíveis fornecedores, agende visitas e entrevistas com os possíveis candidatos e só depois de todo este processo você poderá tomar sua decisão baseada em melhor custo benefício, e o mais importante, procure alguém por quem você tenha empatia, porque você não vai querer dividir seu dia super especial com alguém que não combina com você, certo?

Eu e o namorido somos complicados para decidir sobre qualquer coisa que vamos investir nosso dinheiro. Sempre falamos para as pessoas que nossa querida cachorra Lua foi nossa única compra por impulso (entenda-se por impulso: 3 meses de pesquisa sobre qual seria a raça que se adequaria com nosso estilo de vida, preço e contato com diversos criadores) pois ao conhecê-la pessoalmente não resistimos.

Foi amor à primeira vista!
Um bom exemplo sobre o quanto pesquisamos antes de adquirir qualquer coisa é a nossa casa. Visitamso on line mais de 40 unidades e pessoalmente 22, acho que deu para entender que para nós dois qualquer investimento requer muita análise.

E com a assessoria não foi diferente. Contactamos diversas empresas, nos reunimos via skpye com tantas outras e finalmente nos decidimos. A nossa escolha foi a TOP Entretenimento.

Quando nos reunimos, via skype, com as a Gabi e a Tati, no fim da nossa conversa já sabia que escolheríamos ela, mas não decidimos de imediato (e vocês sabem mto bem o motivo: pesquisar, pesquisar, pesquisar rsrs). A empatia com as meninas foi instantânea, a entrevista foi na verdade um bate-papo onde foi possível entender como elas funcionavam e o que eu estava procurando. A conversa foi toda em inglês, o que permitiu que o namorida participasse ativamente da conversa, sem que eu interrompesse a todo momento para traduzir, e mesmo com a impressão de que estávamos conversando com conhecidos foi possível perceber o profissionalismo da equipe, todos os emails subsequentes confirmaram a primeira impressão.

Especificamente no meu caso, precisava de uma equipe que não apenas me sugerisse fornecedores, mas que pudesse me representar pessoalmente; uma equipe que seria não apenas meu bolso, mas também meus olhos e não minha consultora de tendências (muito obrigada, sei muito bem o que gosto e não gosto), e este é um papel que a equipe TOP está desempenhado com excelência. A Tati visitou diversos lugares e montou apresentações em inglês para que eu e o namorido pudéssemos analisar e decidir, com segurança, sobre onde queríamos celebrar nosso grande dia (Tati, desculpa por ter feito vc ir em trocentos lugares ;).

Mesmo tendo que organizar todo um casamento a distância (sim, existem horas que surto) posso afirmar que meu casamento irá representar eu e o namorido em todos os sentidos. Não conheço pessoalmente nenhuma das meninas da TOP, mas é como se conhecesse. Confio na equipe que contratei e elas têm atendido todas as minhas expectativas.

Meninas, muito obrigada por apoiar e me manter na linha com todas as maluquices multiculturais rs!!

P.S.: Eu juro que tento escrever pouco, mas quando vejo o post ficou gigante :( prometo tentar me policiar melhor!


Friday, April 1, 2011

Minhas primeiras impressões

A primeira vez em que vim para o USA foi com um grupo de 6 brasileiras. Ficamos hospedadas na casa de uma enfermeira aposentada que mantinha 3 casas com diversos quartos que eram alugados para estudantes do mundo todo ligados a Cleveland Clinic.

Posso dizer que a minha primeira impressão dos USA não foi das melhores rs. Cleveland é considerada a segunda pior cidade dos USA, logo imaginem o choque do nosso grupo q fazia uma imagem completamente diferente destas bandas dos States rs. Ao chegarmos na casa, a coisa não melhorou muito; a casa era grande, mas as divisões de quarto e a decoração eram toscas, e para ajudar era mto suja e escura. A casa era repleta de estudantes que não interagiam muito entre si e ngm se preocupava com as áreas em comum, e a dona da casa (que não morava por ali) muito menos.

Nossa conversa com os outros estudantes não foi muito animadora. Descobrimos que estávamos em um bairro bastante violento e só deveríamos sair de casa de noite se fosse de carro; para fazer compras havia um mini market próximo, mas só deveríamos ir se estivessemos acompanhadas de alguém do sexo masculino \o/. Pensa no desespero desse bando de brasileiras? rs. Nos sentimos naqueles filmes Hollywoodianos que retratam as gangues americanas.

 No segundo dia iniciamos o nosso treinamento na Cleveland Clinic, e uma nova face de Cleveland se revelou. O contraste é absurdo, o complexo hospitalar é enorme, lindo, imponente, extravagante... tudo que você pode imaginar e ainda mais. A Cleveland Clinic é considerado o quarto melhor hospital no USA, e mtas de suas especialidades são número 1 (por exemplo faz 16 anos que a cardiologia deles é número 1). Enfim, é um hospital de ponta que mantém a cidade inteira funcionando.

A Building Cleveland CLinic.
Foto Arquivo Pessoal.
Para se ter uma idéia da abundância do hospital, em um dos corredores que conecta os dois principas prédios, há mais de 20 televisores de plasma de 32 polegadas exibindo informações sobre o hospital. O único hotel 5 estrelas daqueles lados, têm uma de suas entradas dentro do hospital (para conveniência dos pacientes). As doações para a Cleveland Clinic são tantas que eles são a primeira escola de medicina gratuita no USA (prometo no futuro dar mais detalhes sobre o sistema Universitário por aqui) por conta disso e tanta outras, o contraste entre Cleveland Clinic e Cleveland é chocante.

Apesar dos problemas da cidade, nossa experiência em Cleveland foi muito positiva, mesmo com a dificuldade absurda que tive por ficar longe da família (na primeira semana liguei para os meus pais chorando histericamente) com o tempo eu aprendi a lidar com a distância, mas até hoje preciso falar com meus pais todos os dias.

Na casa em que nos hospedamos fizemos uma faxina geral e procurãvamos fazer jantares coletivos entre os estudantes. Nos levamos uma dinâmica deiferente para a casa, e quando estávamos para ir embora, alguns estudantes falaram que a dona da casa deveria pagar pela nossa hospedagem e não ao contrário :). Fizemos muitos amigos em Cleveland e não tivemos nenhum problema com violência.

Enfim, apesar dos pesares das primeiras impressões, foi a segunda pior cidade dos USA quem ganhou meu coração 4 anos atrás.