Wednesday, September 24, 2014

Território Nacional

No momento estou em terras brasilis. Passada rápida, como sempre.

Esta é uma viagem que eu já sabia que me traria uma enxurrada de sentimentos, não apenas por conta da gravidez, mas também por problemas que vem rolando na família já há algum tempo. Mais para frente, eu talvez elabore um pouquinho mais sobre isso.

Esta é uma viagem que também está me trazendo muitas reflexões de situações/conversas que tenho considerado extremamente curiosas e pretendo criar post futuros para falar delas.

Esta é também uma viagem, em que pela primeira vez, me sinto desconectada do local. Entendam bem, não tenho ódio do Brasil. Não sou daquelas expatriadas reclamonas rsrsrs Sou saudosista de várias coisas que tem por aqui, mas no geral, me sinto desconectada dos locais à minha volta. Não sinto a mínima vontade de ir em nenhum lugar para matar a saudade, mas quero ver todo mundo que faz parte da minha vida de uma forma e de outra. Estes morro de saudades e é uma delícia cada vez que encontro com um.

Talvez, por ser a primeira vez em anos que venho sem o marido, não tenho a empolgação de mostrar nada... Não sei, ainda estou analisando tudo que acontece rs.

Como podem ver, estou reflexiva sobre tudo... Aí escrevo um post assim, meio sem muito sentido, mas com a intenção de me lembrar sobre coisas que ainda quero escrever por aqui :-)

Monday, September 15, 2014

Mão de vaca?!

     Eu não me considero uma pessoa mão de vaca, mas sim com prioridades bem definidas.

    Exitem coisas que compro sem dó. Aqui em casa, a maior parte das nossas finanças vai em comida, mas para outras coisas, tanto eu quanto marido somos bastante comedidos.

     Há alguns meses, depois de muito debater sobre valor, eu decidi experimentar o shampoo que é o queridinho de muita gente, o Moroccanoil.

Fonte: Amazon.com
     Para o meu cabelo, simplesmente não rolou. Achei um dos meus piores investimentos.

     Não é um shampoo que eu diria que é ruim, mas definitivamente não acho que vale o preço. Meu cabelo é de pobre hahahaha gosta mais do Aussie do que do Moroccanoil.

Sunday, September 7, 2014

Decisões

Este post vai ser comprido e também não deve ser de interesse de muita gente (principalmente se você não estiver grávida). No entanto, acho que é um assunto super relevante e quero dividir aqui. Então, "senta que lá vem história."

Nossa vida é cheia de decisões. O tempo todo. E toda decisão feita, nos leva a tantas outras possibilidades e novas decisões. Com a gravidez, algumas decisões são comumente discutidas: vou amamentar nos seios? Prefiro parto cesárea ou vaginal? Outras não são tão "mainstream," mas eu acredito ser tão importantes quanto. Por isso, quero discutir uma delas por aqui.

Quem aí já ouviu falar nas células tronco presentes no cordão umbilical e na placenta? Pois é, nosso cordão umbilical e placenta são ricos nestas células que tem sido um dos principais focos da mídia e da ciência. Aqui nos EUA, 95% das pessoas que têm filhos, jogam estas células no lixo (Paiuk). Você grávida, já pensou no que fazer com o sangue do seu cordão umbilical e placenta após o parto? Estatisticamente, poucas pensam.

De forma bem básica, células tronco são as células imaturas que se transformam em todas as outras células do nosso corpo. Com os avanços científicos, estas células passaram a ser a estrela nos tratamentos de diversas doenças como leucemia, linfoma, anemia, entre outras. Veja você, 95% das pessoas nos EUA jogam no lixo células tronco que, potencialmente, podem ser utilizadas no tratamento de doenças terríveis que assombram tantas pessoas mundo a fora. Triste né?

Aqui nos EUA, existem três possibilidades relacionadas ao que fazer com o sangue de cordão umbilical e placenta. Você pode: jogar fora, armazenar no privado para possível uso na família, ou doar para bancos público de sangue de cordão e placenta. Como decidir? Bom, como quase tudo na vida, esta é uma escolha pessoal. O que tenho a intenção de fazer aqui é mostrar os critérios que EU utilizei para a MINHA decisão.

Como comentei antes, as células tronco de cordão e placenta tem o potencial para ser utilizada no tratamento de diversas doenças. Para ser um pouco mais precisa, é conhecido que estas células podem ser utilizadas no tratamento de aproximadamente 80 doenças. Aí parece que a decisão mais óbvia é a de armazenar para uso pessoal (familiar), certo? Bom, eu não acho esta uma decisão tão óbvia. É aí que a coisa fica um pouco mais complicada e espero conseguir dividir as informações de forma clara.

Assim como todos outros tratamentos que envolvem orgãos, sangue ou medula óssea, na utilização das células de cordão e placenta também há a necessidade de compatibilidade entre doador e receptor. De forma bem generalizada e básica, existem as doações autólogas e as alogências. Autóloga é quando doador e receptor são a mesma pessoa e a alogênica é quando se utiliza as células de outra pessoa.

O grande apelo dos bancos privados é exatamente a possibilidade de você utilizar estas células tronco nos seus filhos, utilizando-se de uma doação autóloga ou a possibilidade de uma alogênica entre irmãos. Este é uma apelo válido? Com absoluta certeza. No entanto, é válido com ressalvas.

Um exemplo prático (e simplificado) das muitas excessões de manter células tronco para o uso privado. Você tem um único filho e o mesmo desenvolve leucemia quando criança. Você tomou a decisão de guardar células tronco do cordão e placenta, então existe a esperança de que o tratamento do seu filho funcione da maneira mais traquila possivel. Aí vem a bomba, as células tronco que você guardou não podem ser utilizadas porque são células advindas do seu filho e estas células muito provavelmente estão comprometidas com a mesma doença que acomente o seu pequeno. Então, você tristemente passa a correr atrás de um doador na família ou em bancos de células.

Se você guardar aa células de todos os seus filhos, existe a possibilidade de utilizar as células entre irmãos. Esta é uma opção com mais acurácia. O problema, seus filhos tem  25% de chance de serem compatíveis, ou seja, não é jogo certo de que as células que você guardou vão ser úteis na sua família.
Uma outra desvantagem, a quantidade de células tronco presentes no cordão e placenta não costumam ser suficientes para tratamento em um adulto. Por conta disso, são normalmente utilizadas para tratamentos de doenças em crianças e jovens adultos. Portanto, se algum adulto na família precisar desta células, elas muito provavelmente vão ser insuficientes além de também cruzar com o problema da compatibilidade que sem ser entre irmãos é ainda menor.

Eu sei que pode parecer que sou contra manter células para uso privado. A verdade é que não sou. Principalmente se você tem histórico na família de qualquer uma destas doenças pediátricas que estão na lista, acho sim que neste caso, pagar para guardar as células de cordão e placenta fazem muito sentido.

Os bancos privados também costumam falar sobre as possíveis doenças que um dia poderão ser curadas com as células tronco de cordão e placenta. Bom, como disse no começo, é uma questão de escolha pessoal. É impossível se prever o futuro e eu gosto de trabalhar com o mais concreto possível. Por conta disso, a ideia das possíveis doenças não entram na minha lista de critérios para chegar a minha decisão.

Acho que já deu para entender qual foi minha decisão né? Eu vou doar o sangue do meu cordão umbilical e placenta. Minhas razões em resumo: em poucos casos o sangue pode ser utilizado na própria criança que fez a doação; eu não tenho histórico das doenças em minha familia ou família do marido; e probalidade de compatibilidade entre irmãos é de 25%.

O fato mais importante para a minha decisão de doar: as células tronco do meu filho podem salvar uma vida hoje. Elas podem fazer diferença na vida de uma família que está lidando com uma doença infeliz que arranca a infância dos filhos deles, HOJE.

Lembra sobre a compatibilidade que comentei brevemente? As minorias raciais (que inclui pessoas de raças mista) são as que mais sofrem nas filas de espera de orgãos, medula e também sangue de cordão e placenta. Isto porque são os nossos receptores que determinam o que é compatível ou não e eles sofrem influência de nossa composição genética que sofre influência da nossa composição racial. Complexo né? Pois bem, não sei se muita gente sabe por aqui, mas meu marido é Japonês. Portanto, nosso filho representa uma minoria racial e os bancos precisam de mais doadores que representam esta minoria!

Grávidas e grávidos por aí, pensem no que fazer com o sangue do seu cordão e placenta. Eu sei que há milhões de outras coisas para se pensar, mas esta é uma muito importante também. Faça sua pesquisa, há muita informação na internet! Não sou especialista no assunto, mas posso compartilhar o conhecimento que tenho e tentar responder possíveis perguntas.

Eu não sei como as coisas funcionam em outros países, por isso, vale você ir atrás do que é possível fazer onde você mora.

Aqui na minha região, private banking sai em torno de $2000 com pagamento anual de $250 para manter as células no banco. Se você quer doar, você não precisa pagar nada. Existem vários lugares que você pode recorrer para fazer a doação pública. Converse com o seu obstetra ou mid-wife. Alguns hospitais tem programa de doação neles, mas mesmo os que não tem é possível doar.

No meu caso, eu vou utilizar o "Be The Match," lá você responde um questionário e após ser aprovado, eles te enviam um kit para que o centro onde você vai ter o bebê faça a coleta e depois é só você enviar o material coletado de volta. Simples né?! E ainda assim 95% das grávidas neste país jogam as células fora!

Como falei anteriormente, não quero convencer ninguém a fazer algo em específico com suas células, mas quero apenas dizer que existem possibilidades e que vale a pena conhecer e verificar se é compatível com a sua realidade.

Paiuk, Cara. "Weighing Cord Blood Donation Against Private Banks." The New York Times. The New York  Times Company, 10 Dec. 2013. Web. 14 Aug 2014.