Wednesday, May 30, 2012

Arma=Segurança?

O Post da Tacia, me inspirou a escrever sobre a minha opinião sobre armas.

Como já comentei antes, tenho opinião sobre tudo. Ficar em cima do muro não faz parte da minha personalidade, e eu tenho uma opinião muito forte com relação à posse de armas.

Entendam, eu não tenho medo de arma. Sei atirar, já atirei diversas vezes, e sempre convivi com arma. Mesmo assim, sou veemente contra as pessoas portarem armas.

Cresci em uma casa com armas. Desde muito cedo, por necessidade, aprendi a atirar. Meu pai é Policial Militar, e por trabalhar disfarçado, vivemos algumas situações extremas. Sempre precisamos ter armar localizadas em lugares estratégicos em nossa casa, então esconder arma nunca foi algo viável na nossa família. Em uma casa com 3 criançcas, alguns podem pensar que este era um problema, mas não foi o nosso caso.

Meu pai adotou uma filosofia que funcionou muito bem comigo e minhas irmãs. Ele sempre acreditou que curiosidade era o grande problema, e por isso desde muito cedo nos deixou manusear a arma dele. Nos explicou os riscos, e disse que sempre nos deixaria tocar a arma, mas que ele precisava estar junto. Alguns podem achar esta uma atitude extremista e até mesmo irresponsável, eu discordo. Nunca sequer chegamos perto da arma do meu pai se ele não estivesse conosco. Não havia a curiosidade, pois sabíamos que era algo que teríamos acesso quando tivessemos vontade, mas se tocasse sem a permissão dele, nossos privilégios e liberdade seriam cortados.

Pois bem, muitos acreditam que por eu ter esta relação com armas, e de entender bastante sobre elas, eu deveria ser a favor de todos carregarem uma arma, mas acho que exatamente por entender muito bem o "peso" de uma arma (lição que meu pai me ensinou muito bem), eu sou extremamente contra.

Meu pai sempre nos disse que as pessoas não sabem o real valor de se tirar uma vida. Não importa se a sua vida está em jogo!! Tirar a vida de outro ser humano vai ter um grande impacto em vc, ao não ser que vc sofra algum distúbio, neste caso, matar um ou mil não faz diferença.

Muitas pessoas chegam com a conversa de que se a pessoa é devidaemnte treinada, está tudo bem. Se fosse assim, vc não teria tanto militar (seja nas forças armadas ou nos policias) fazendo merda. Eu discordo, pq treino é muito diferente de uma situação real. Na situação real sua adrenalina está em comando, e não o seu lado racional!! Vc faz coisas sem pensar!!

Ter uma arma te dá a falsa sensação de poder e por isso vemos tantos casos de tiroteios idiotas onde pessoas perdem a vida!

Infelizmente, nos EUA, o segundo direito garantido na constituição americana é o de posse de armas. Um direito tão obsoleto, que mesmo com as estatísticas alarmantes deste país, eles não pensam em mudar. Afinal, é sagrado, é a constituicao americana.

Vamos a alguns dados que eu acredito que exemplificam muito bem o que estou falando:

Em estatísticas levantadas de 1966 a 2012*, nos EUA houveram 117 tiroteios em instituições de ensino. Foram 243 pessoas (entres crianças, adolescentes e adultos) mortos e 6 feridos. Número este que nenhum outro país no mundo carrega.

Em 1996, na Escócia, um homem invadiu uma escola primária, com suas armas legais e começou a disparar nas crianças na faixa etária de 5 e 6 anos. 17 inocentes morreram, sendo uma destas pessoas uma professora que se jogou na frente das crianças para tentar protegê-las. Este massacre acabou tendo grande impacto político, e causou uma reformulação das leis de porte de arma, abolindo totalmente o porte de arma as pessoas. Depois disso, quantos outros massacres como este vcs acham que eles sofreram? Eles aprenderam a lição, que o EUA resiste em aprender.

Estou citanto aqui apenas números de tiroteios que ocorreram em instituições de ensino. Se vc adicionar o número de tiroteios em casa, rua e trânsito, o número norte americano sofre umas escalada vertiginosa. Estou citando aqui crimes de pessoas que acredita-se que eram comuns, e um dia surtaram (lógico que a situação é muito mais complexa que isto, mas o intuito do post não é discutir a complexidade dos indíviduos). Não são crimes cometidos por gangues, facções criminosas ou extremistas religiosos... São assassinatos cometidos por adolescentes, pais de família, chefe de comunidade e assim vai...

Àquilo que muitos defendem como direito de proteção, uma questão de segurança, acabou se tornando um meio para cessar a vida de dezenas de inocentes. É idiotice comparar estes números com os de países em guerra, ou de países onde há problemas de tráfico e tantos outros problemas sociais. Estas são mortes muito mais complexas que o de tiroteios como estes que citei. O simples ato de não permitir que as pessoas tenham armas em casa, mudaria este quadro tão vergonhoso dos EUA.

Por conta do meu conhecimento, e das estatísticas sou absolutamente contra se ter uma arma dentro de casa. Quer segurança?! Coloque alarme, arma não traz segurança para ninguém. Traz sim sensação de poder, e esta é muito perigosa.

Marido concorda comigo, não acho que ele tenha uma opinão tão forte quanto a minha, mas o importante é que ele aceita o meu veto rsrsrs

A questão de armas neste país é uma vergonha, que a maioria dos americanos não admitem ser uma vergonha!! Enquanto isso continuamos com estes crimes bárbaros e evitáveis acontecendo todos os anos!!

*Wikipedia <http://en.wikipedia.org/wiki/School_shooting>

Wednesday, May 23, 2012

Antecipação


Quando me mudei para Cleveland, conheci um grupo muito bacana de pessoas que viraram minha família americana. Me mudei para cá sozinha, e em pouco tempo já conhecia um grupo que são meus amigos até hoje.

Passei por alguns bocados, e estas pessoas ficaram do meu lado à cada minuto. Eu tinha um trabalho, tinha minha roommate querida, e uma vida social rsrs

Após alguns anos, já adaptada em Cleveland, me mudei para Ann Arbor. Me vi sem emprego, sem meus amigos e em uma cidade que não tinha ideia de como era. Aí as pessoas pensam, vc não passou por isso quando se mudou para Cle?? Não, ter um emprego fez uma grande diferença para mim. Além de poder estar ganhando meu dinheirinho e ter uma rotina, o hospital era enorme e me possibilitava contato com os mais variados tipos de pessoas. Com isso, era mais fácil para uma pessoa extramente tímida fazer amigos.

Enfim, mudei para Ann Arbor e fiquei desempregada por quase um ano!! Não tendo um lugar para conhecer pessoas, fazer vinculos com a cidade e criar amigos parecia uma missão impossível.

O hospital que o marido trabalha valoriza muito a vida pessoal dos residentes. Algo totalmente necessário, já que eles trabalham 80 horas por semana(muitas vezes até mais), e sobra pouquíssimo tempo para uma vida em casa. Por conta desta política, o hospital está sempre criando eventos para que as famílias possam se relacionar entre si. Eles nos pagam jantares, passeios e criam vários outros eventos, onde os residentes e sua famílias são sempre convidados. Além disso, o diretor do programa do meu marido é o melhor diretor que já conheci na vida!! O cara se reuniu comigo, me ajudou no meu CV e procurou emprego comigo, com uma preocupação que eu sinceramente nunca vi em alguém na posição dele.

Fora o programa em si que valoriza muito as famílias, a classe do marido é simplesmente maravilhosa!!! Todos se gostam, todos tem uma super atenção comigo e com os parceiros de todos os outros classmates. Eu nunca me sinto deslocada quando estou com eles, e muitas vezes, mesmo se marido está trabalhando, eu saio com eles. A minha aproximação com eles é tão grande, que inclusive uma das residentes vai casar e eu serei bridesmaid dela (lembrem se que aqui, quando vc é madrinha de casamento, necessariamente não significa que o casal foi escolhido. O que rolou neste caso, eu sou madrinha mas marido não vai ser padrinho).

Lógico que passei por um período complicado e depressivo, mas ajudou muito poder contar com os classmates do marido.

O fim da residência está chegando, Julho de 2013, e mais uma vez vou precisar dizer tchau. Ainda não sabemos se ficaremos aqui ou não (só em Novembro/Dezembro teremos uma resposta) e da mesma forma, os classmates também vão se mudar. Alguns nós já sabemos que vão ficar aqui, e outros nós sabemos que querem ir embora.

Vir para o EUA trouxe muitas despedidas para minha vida, experiência que não era comum :( Ainda estou aprendendo a lidar com este tipo de situação (sei que já faze 5 anos que estou por aqui, mas me deixem ser lenta rsrs), por isso, estou aqui já sofrendo por antecedência hehehe

Sei que já reclamei disso outras vezes, mas me deixa ser reclamona também rsrs

Monday, May 21, 2012

Será que hoje fariam sucesso?

Tenho visto várias pessoas comentarem sobre o chocolate Kit Kat que voltou a ser vendido no Brasil (ok, muitos nem sabem que ele já foi vendido no passado, e hoje e o tratam como uma novidade). Pois bem, o suposto sucesso que o bendito chocolate está fazendo nos dias atuais, me fez pensar em outros produtos americanos que se arriscaram no Brasil mas acabaram falindo. Será que agora que o Basil está muito mais americanizado, estes produtos seriam sucessos??

7Up! - quando eu bebia refrigerante, eu bem gostava da Seven Up, mas a vida dela no Brasil não foi mto longa!!
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KFC- Aparentemente os fraguinhos fritos do coronel arriscaram negócios no Brasil em várias épocas diferente. Eu não gostava deles no Brasil, e também não gosto aqui.

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Coca-Cola de cereja - Essa é mais nova, eu nunca gostei!! Aliás, nãoo bebo Coca-Cola desde os meus 12 anos de idade, então nunca experimentei a com um toque de cereja. Lembro que minha irmã adorava, mas ela não foi sucesso no Brasil.
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Manteiga de amendoim - Juro que não entendo pq pararam de vender no Brasil hihihi eu simplesmente amava quando era criança!! Hoje em dia, a minha casa sempre tem um pote, mas no Brasil nunca mais eu vi!!
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Ruffles Max - Era a batata Ruffles em super pacotes (tamanhos bem generosos) e com sabor barbeque. Comprei várias pq tinha a coleção de tazo, e nelas tinha o mega tazo hehehe
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Skittles - Gente, eu amava skitlles, e ainda lembro da propaganda quando eu era criança hihihi Aqui chego a comprar pacotes de 1kg, eu adoro :)
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Imagino que devem haver outros produtos, mas estes foram o que a minha memória resgatou

P.S.: Procurei o comercial no youtbe, mas não achei :( No entanto achei um monte de comercial que amrcou minha infância hahaha Ainda escrevo um post dos comerciais mais marcantes da minha vida hahaha

Friday, May 18, 2012

Decisões difíceis

Como já citei por aqui algumas vezes, marido está fazendo a residência médica. Por conta do cotidiano dele, morte e vida, desempenham grande papel nas nossas conversas diárias. Especialmente em meses como o que ele está agora, no setor de UTI adulta.

Em meses mais "complicados" como este, o assunto morte, passa a ser corriqueiro. Conversamos sobre isto durante o jantar, durante nosso "pillow talk", e até mesmo no banho.

O que muita gente considera como assunto mórbido e depressivo, para ele é uma realidade do dia a dia, e como esposa, passa a ser minha realidade também. Acho que seria muito egoísmo da minha parte que não deixasse ele compartilhar o dia a dia dele comigo, só pq é sobre um assunto "pesado". Sinto que nossas conversas são necessárias para ele. O ajuda a aliviar um pouco a tensão. Eu estou sempre disposta a ouvir, seja lá o que for, e se ele quiser uma opinião, estou sempre disposta a falar (Talvez este seja um dos meus maiores defeitos, quase sempre tenho uma opinião para tudo, são rarissímas as situações que fico em cima do muro).

Acho que no fim, trago uma perspectiva diferente para ele. Apesar de me considerar uma pessoa bastante racional, consigo dar uma perspectiva diferente do meio médico, e lógico que por estar "de fora", também consigo ver tudo com uma clareza diferente, tanto o lado dele quanto o da família. Ontem mesmo ele comentou comigo que cada vez que ele conversa com as famílias, ele pensa em mim. Isso pq eu sempre comento com ele sobre esperança e milagres, coisas que ele tem uma certa dificuldade para assimilar.

Por este mês estar sendo o mais pesado dos últimos 3 anos, mesmo que por várias vezes ele tenha trabalhado na UTI, este mês está sendo o primeiro que, em média, uma pessoa está morrendo por dia. Com isso, chegamos a conclusão que era importante conversarmos sobre algo que muitos deixam passar: nossas expectativas e desejos para a hora da nossa morte. Por mais estranho que esta conversa possa soar para muitas pessoas, a grande verdade é que a única certeza que temos nesta vida é que vamos morrer. Não sabemos como ou quando, mas sabemos que vamos morrer. Não é uma questão de viver pensando na morte, mas acredito que precisamos ser práticos para facilitar para quem fica. Marido tem lidado com muitas situações em que a família fica perdida, pq não sabe o que a pessoa gostaria que eles fizessem.

Não estou falando apenas sobre a questão de ser cremado ou enterrado, ou ser que música ou não no velório. O que conversamos foi sobre decisões que talvez precisamos tomar: Manter ou não manter a pessoa conectada em aparelhos? Em que momento devemos parar de tentar ressucitar a pessoa? Vale tudo para me manter vivo?? E qual o real conceito de vida??

São questões complexas, onde se chegar a uma resposta leva tempo, e sempre será extremamente pessoal!!

Recentemente tive um debate sobre vida com um primo meu, por conta da legalização do aborto de bbs anencéfalos no Brasil. Discutimos sobre qualidade de vida, sobre o que consideramos estar vivo ou não, sobre o que se é natural e quando estamos causando sofrimento ao invés de ajuda. Não vou ficar aqui discutindo este assunto, esta não é a minha ideia com o post. O que quero falar mesmo é sobre o quanto evitamos o assunto morte, apesar de ser algo tão real e inevitável para todos. E o quanto deixamos passar a oportunidade de falar aquilo que desejamos, para um momento tão crucial na vida daqueles que ficam.

Eu e marido decidimos escrever um testamento para isto! O testamento para herança e filhos (o destino deles se ambos morrermos), é muito importante, e o de decisões médicas também. Legalmente, quando casados, o esposo(a) têm o direito legal à decisao do que deve ser feito, mas como já vimos várias vezes, em alguns casos, outros familiares entram na justiça para impedir a decisão do parceiro, e com isso, a situação do paciente fica pendente até que a justiça favoreça um dos lados. Para evitar este tipo de situação que eu e marido estamos trabalhando no nosso testamento. O que vai valer será o que desejamos para nós mesmos, e ninguém mais pode interferir!!

Com isto, acredito que o estarei eximindo de qualquer possível culpa que ele venha sentir, e qualquer peso de decisão. Desta forma, acredito também que ele terá liberdade para sofrer sem eu acrescentar mais peso!!

Sei que o post parace meio depressivo, mas a verdade é que marido e eu conversamos isso sem nenhum peso, sem se sentir mórbido. Não estamos planejando nossa morte, muito menos vivendo pensando nela, estamos apenas sendo práticos. Verdade seja dita, por mais doloroso que seja perder alguém, o mundo não pára para o nosso luto. Quem já viveu este tipo de situação sabe. O mundo nos cobra praticidade e racionalidade em uma hora que estas duas práticas são quase impossíveis, por isso, marido e eu decidimos que seria muito mais simples se deixarmos registrado nossa vontade enquanto podemos ser práticos e racionais!! Talvez soe estranho, mas para nós é a decisão mais acertada!

Thursday, May 17, 2012

Nem lá nem cá


Sempre fui chata com relação a escrita. Sempre li muito, o que contribuiu para que eu tivesse um vocabulario mais amplo, e arrisco dizer de qualidade ;) Então me mudei para o EUA, e como nunca havia feito aula de inglês eu precisei limpar minha mente por muito tempo do português para que o inglês se tornasse mais natural e não que eu ficasse traduzindo as coisas antes de falar.

Neste tempo que mudei para cá, o Brasil também mudou várias regras ortográficas :(

Junta tudo isso, com uma leitura em português bastante limitada. Hoje me sinto no limbo... Ainda cometo alguns erros de inglês e o meu português está ficando cada vez mais precário.

Pois é, leio os meus textos e muitas vezes fico com vergonha  :( A ordem das frases nem sempre estão da forma correta. Muitas vezes vejo uma composição de frase no estilo americano, no meu texto em português... E os acentos ortográficos?!? Vergonha total, nem sei mais o que vale ou não vale...

Não é que não consigo me comunicar ou me fazer entender em português, esta é minha língua materna, então sei que sempre serei capaz de me comunicar nela. O problema é que o meu portuugês está perdendo qualidade, e isto me deixa bem chateada. Acho que vou fazer umas aulas de português...

Tuesday, May 15, 2012

Último update

20 dias pós cirurgia, e posso dizer que estou praticamente 100%.

Parei o pain killer super forte (Vicodin a cada 4 horas). Agora estou com uma dose meio alta de Ibuprofeno, mas vou tentar diminuir para o fim desta semana.

Parei a medicação para enjôo, e não estou mais enjoando quando me alimento. Não consigo comer de tudo. Carne eu ainda não arrisquei. Comida apimentada, ácida ou crocante, sem chances ainda. Estou com uma super vontade de beber um super copo de suco de laranja, mas ainda não dá.

Se matar no sorvete, como praticamente todos dizem que devemos fazer, não é uma prática que consigo fazer efetivamente. Meu freezer está cheio de sorvete, e ás vezes eu como um pouco para amortecer a goela quando a dor aperta, mas do contrário, quase sem sorvetes na minha dieta. Ainda estou comendo muito menos que o que estava acostumada, pq meu estômago não aguenta (mas isto é bom, eu andava comendo igual uma porquinha hehehe).

Não sinto fome, ás vezes me sinto fraca, mas muito melhor do que uma semana atrás. Não sinto gosto direito da comida :( e esta é a parte que mais odeio. Me falaram que algumas coisas nunca mais vão ter o mesmo gosto, mas espero que comigo seja diferente!!

As manhãs são as mais difíceis. Eu durmo de boca aberta, e com isso minha garganta resseca absurdo, e dói. Acordo de madrugada apenas para beber água. É automático, a boca resseca, dói e eu acordo.

O mais engraçado: estou me sentindo uma criança desastrada. Se bebo água com a cabeça mto levantada, sempre sai água pelo meu nariz, agora não tenho mais as tonsilas para impedir este canal hahahaha. Cortei refrigerante da minha dieta já faz mais de um ano (problema de estômago) então não sei como é beber algo com gás, talvez tente água com gás em breve, só pq me falaram que a sensação das bolhas é diferente rsrsrs

Bocejar, espirrar e soluço causam bastante dor, então fico desesperada quando vejo alguém bocejar.

Bom, é isso. Vida normal, agora com uma garganta que enxergo hahaha fico direto no espelho com lanterna analisando minha garganta. Minha gente, foram 28 anos sem ver a garganta, agora pareço criança descobrindo algo novo no corpo hehehe

O meu trabalho está levemente voltando ao normal. Meus chefes estão fazendo tudo que podem para não me deixarem sobrecarregada, e também me deram carta livre para sair do trablaho a hora que fosse melhor para mim!!!

Muito obrigada à todos pelo carinho enorme, e por todas as mensagens fofas!!! Ajudou bastante saber que tinha tanta gente querida preocupada comigo!!! Vcs são ótimos!! Agora não precisam se preocupar mais, estou quase que completametne recuperada :)

Monday, May 14, 2012

Exclusividade

Como todos sabem, meu nome é Aline. Nome de origem francesa bastante comum no Brasil :)

Mamis escolheu este nome por conta da música francesa Aline, que acabou sendo traduzida(?!) na voz do Agnaldo Timóteo.

Não acho que hoje em dia o nome Aline é tão popular quanto era na época que nasci. Minha gente, sempre cresci cercada de Alines rsrsr Amo o meu nome, mas admito que era que nem calcinha hahahaha

Lembro que lá pelos meus 18 anos, fiz uma prova de concurso, e na minha sala havia 40 e poucas Alines. Um menino chegou na porta da sala e chamou "Aline", a sala inteira virou e começamos a rir! Nunca vou esquecer esta cena!

No Brasil, nunca tive problemas das pessoas errarem meu nome, afinal, nome simples e que todo mundo já ouviu na vida rsrs.

Apesar de ser um nome bem popular na década de 80 e 90, este foi um nome que foi meio caindo em desuso, afinal a única Aline (que me recordo) na teledramaturgia global (rsrs) foi a Aline interpretada por Giulia Gam na novela Que Rei Sou Eu?! (Putz, sou mto velha por lembrar desta novela?). Por conta desta falta de popularidade na televisão rsrsrs gerações futuras foram perdendo a idéia de usar o nome Aline nas filhas. Mesmo assim, praticamente todas as pessoas conhecem uma Aline, é ou não é nome calcinha?!

Pois bem, uma pessoa com nome calcinha, que nunca ouviu que o nome era diferente, se muda para a Terra do Tio Sam. Nunca mais minha vida foi a mesma hahahaha

As pessoas nunca acertam em falar meu nome, e sempre pedem para eu repetir para tentarem copiar a pronuncia rsrs. Além disso, se estou em algum lugar que a pessoa precisa ler o meu nome para me chamar, sempre sou a "Eiline".

Desde que mudei para cá, constantemente preciso soletrar, e explicar como dizer o meu nome. Muitos já me falaram que adoraram meu nome, acham diferente :)

Veja só vcs, a pessoa com nome calcinha passou a ser exclusiva. E a vida sempre mostrando que tudo é uma questão de perspectiva!!

Friday, May 11, 2012

Mal acostumada. Será?!


Este processo todo de tonsilectomia me fez confirmar uma coisa, morar longe da minha família é uma grande merda hehehe

Sei que várias pessoas moram longe da família e estão mais do que acostumadas e adaptadas a passarem por coisas médicas sem ter eles por perto, mas os eventos da minha cirurgia foram uma tortura tanto para mim quanto para a minha família. Já fiquei doente várias vezes desde que moro no EUA, mas é a primeira vez que vivi algo desta magnitude. Por conta disso, a tonsilectomia foi a prova dos dez para ver que não somos muito bons em ficar longe em momentos delicados.

Vamos a dinâmica da minha família :) Para todo mundo entender, minha família é daquelas que se um passa mal, todo o resto vai para a casa da pessoa para que ela não precise se preocupar com mais nada, além de melhorar.

Um exemplo: Quando meu sobrinho estava com 9-10 meses de idade, minha irmã (que não é a mãe) escorregou na escada com ele no colo. Ela tentou protegê-lo de todas as formas que pode, mas ele acabou trincando o fêmur :(. Eles foram para o hospital, e meu cunhado no caminho ligou para meus pais e para mim. Enfim, no período de uma hora, em plena manha de Quarta feira útil, a família inteira estava no hospital. Todo mundo largou seus correspondentes trabalho para estar no hospital com a minha irmã e meu sobrinho.

Outro exemplo: Quando meu pai cortou a mão com a serra elétrica, após a cirurgia de re-implante ele precisou fcar uma semana hospitalizado. Nesta uma semana eu fiquei no hospital com ele, e minhas irmãs iam para lá todos os dias para passar as tardes com ele. (Eu sei, dá a impressão que minha família é de desocupados rsrs mas não, é que fazemos mil jogos de cintura para podermos estar uns com os outros).

Como vcs podem ver, eu e minha família temos essa co-dependência rsrs Qualquer coisa que acontece, lá se vai a família inteira para dar apoio, ajudar com a casa... Sempre que vou ao Brasil e decido ir a um médico, geralmente meu pai vai comigo.

Desta vez, aqui longe de todos, fiquei bastante sozinha, e meus pais também se sentiram super frustrados. No dia da minha cirurgia, eu precisava estar no hospital as 5:30 da manhã, e aproveitei para escrever um email para os meus pais avisando que estava a caminho do hospital e que quando saísse da cirurgia eu ligaria para eles. Na mesma hora recebi um email resposta para que entrasse no skype, pois eles já estavam acordados esperando por mim.

Quando fui internada com a hemorragia, após estar com o sangramento controlado, liguei para eles. E lógico, eles ficaram em pânico pq não estavam aqui comigo. Eu fiquei bastante tempo no hospital com eles via skype, pq eles não queriam me deixar sozinha rsrs

Quando voltei para casa, a mesma coisa, eles ficavam no skype praticamente o dia inteiro, assim eu não me sentia sozinha, já que o marido não estava em casa.

A minha recuperação, para mim, foi complicada. Passei por todo este processo doloroso, e me senti sozinha sim. Marido fez o que pode, mas trabalhando 80 horas por semana, fica difícil me fazer companhia ou ajudar na maioria das coisas de casa. Tive amigos queridos como a Eli, que me deu muita força, mas ainda sim, foi difícil não ter meu papis e minha mamis por aqui... Marido disse que sou mimada, por isso que senti tanto a falta dos meus pais. Não acho que sou mimada, apenas esta foi a dinâmica que cresci, sempre estivemos dispostos a largar tudo um pelo outro, e agora a distância nos limita muito neste sentido, e é impossível para nós não nos sentirmos frustrados, e principalmente, com um aperto gigante no coração pq sabemos que esta não vai ser a última experiência que teremos neste sentido. Será que vamos nos acostumar??

Monday, May 7, 2012

Após tonsilectomia

Hoje completa 13 dias que fiz minha cirurgia, e finalmente estou com condições de escrever!!

Gostaria de agradecer à todos que deixaram mensagens tão carinhosas... Muito obrigada pelo carinho, pelos votos de melhoras, pelos emails... Enfim, por toda a preocupação, obrigada de coração!

Finalmente aprendi pq dizem que é melhor fazer esta cirurgia quando se é criança. Quanto mais novo, menos ligações nervosas nós temos nesta área, e consequentemente, menos dor no processo de recuperação. Outro fator que altera no processo de recuperação, é a forma que as tonsilas estavam conectadas à sua garganta. Aparentemente, nem todos temos os mesmo tipo de conexão, e quanto mais ligada ao músculo da região a tonsila está, maior será a dor que vc vai sentir no seu processo de recuperação. Por conta desta individualidade, algumas pessoas têm um pós operatório tranquilo, enquanto outras sofrem bastante. O meu caso, bom, o meu caso foi um pesadelo :(.

O dia da cirurgia foi super tranquilo. O cirurgia em si leva apenas 25 minutos. Demora mais para prepar o paciente do que todo o procedimento cirúrgico.

Cheguei no hospital 5:30 da manhã, e minha cirurgia estava marcada para as 7:30. Neste meio tempo, eu conversei com a enfermeira que fez milhões de perguntas para ter certeza que todas as minhas informações no prontuário estavam corretas. Conversei um pouco com o cirurgião e sua equipe, e também com o anestesista. O anestesista me fez mais um milhão de perguntas, pediu para eu fazer vários movimentos com a cabeça e ficou preocupado de como ele ia me entubar durante a cirurgia, pq minhas tonsilas eram muito grandes e ele não tinha visão das minha cordas vocais. Ele chamou a superior dele, que veio e analisou minha garganta, e chamou uma outra anestesista para ver a opinião dela, no final, ficaram 3 anestesistas para decidir como iam me entubar :). Decisão tomada, fui levada para a sala de cirugia, onde eles colocaram massageadores nas minha pernas para evitar a formação de coágulos :). Achei interessante que antes de começar a cirurgia o anestesista me perguntou qual era o meu procedimento, e após eu responder em voz alta ele perguntou para a toda equipe: " Are we all in the same page?" Todos responderam que sim e ele me colocou para dormir. A última frase do anestesista foi "I hope you will have sweet dreams".
Antes de ser levada para o centro cirúrgico. Marido fez um book, incluindo milhões de fotos das tonsilas antes e depois, mas vou poupar vcs da nojeira hehehe
Acordei pós cirurgia totalmente grogue. Uma enfermeira estava ao meu lado fazendo milhões de perguntas, e eu apagava e voltava rsrs Ela queria saber como estava minha dor, e constantemente ficava molhando minha boca com gelo. Nesta primeira fase do pós operatório eu tive reação alérgica a um dos trocentos medicamentos que tomei, e meu corpo ficou cheio de manchas e eu me coçava absurdo. Fiquei meio desesperada pq não conseguia engolir. Eu quase não sentia dor, mas estava super drogada, e morrendo de medo pq não conseguia engolir... Lembro vagamente do marido aparecendo por lá (uma excessão que abriram por ele ser funcionário da casa), mas fora isso não me lembro de muita coisa.

Após esta primeira fase, eles me transferiram para uma outra ala de recuperação, que é onde podemos ficar acompanhado do familiar. Eu estava tão drogada, que não lembro muita coisa nem desta fase rsrsr. Eu fui liberada do hospital no mesmo dia, com um monte de pain killers e antibiótico (profilático) para tomar em casa.

Marido me levando para casa. Eu linda, inchada e drogada, e com um monte de mancha de reação alérgica no pescoço
Os dois primeiros dias em casa foram tranquilos. Desde o começo me forcei a beber muita água, pq estava com muito medo de ficar desidratada, mas comida mesmo eu não conseguia engolir. Eu não tinha fome, e o cheiro de qqr coisa me enjoava. A medicação para dor tinha que ser tomada a cada 4 horas, e meu corpo não deixava que esquecesse nunca os horários, pq sempre começava a sentir dor quando se aproximava a hora de tomar remédio.

4 dias após a cirurgia eu arrisquei beber french onion soup (minha favorita) só o caldo, mas após 3 colheradas eu já fiquei enjoada. Após a cirurgia, a dor nos ouvidos, e a dor na garganta foram bem intensos. Eu sentia muito mucus no fundo da garganta, e isto incomodava demais. Eu não conseguia dormir mais de duas horas por noite, e deitar era (ainda é) impossível. Uma pilha de três travesseiros é necessário para que eu fique na cama. Minha língua ficou extremamente inchada após a cirugia. Eles colocam clipes na nossa língua para que fique fora da boca durante a cirurgia, e com isso dois hematomas enormes se formaram nas laterais da minha língua, e eu tinha tremenda dificuldade de movimentá-la.


Abrir a boca, falar, engolir... Enfim, tudo era um super sacrifício, e pq tudo fica inchado, vc constantemente sente que há uma bola no fundo da sua garganta que vc não consegue remover. Perdi toda a sensibilidade à sabores. Ainda não voltou :(

Apesar de um começo difícil, acreditei que cosneguiria me recuperar sem grandes traumas. Sou uma pessoa com uma boa resistência a dor, mas não estava preparada para o que veio depois do quinto dia de cirurgia. Eu não me sentia melhor, pelo contrário, sentia pior a cada dia. A dor só aumentava, já não me alimentava fazia dias, e assim continuou. Exatamente 7 dias após a cirurgia, o que ninguém queria aconteceu, e eu tive hemorragia.

Foi de madrugada, marido havia acabado de chegar após um plantão, e foi dormir. Ficar acordada com dor era o meu ritual noturno, e então comecei a sentir algo quente na minha boca. Eu não conseguia cospir após a cirurgia, então fui até o banheiro e apenas me debrucei na pia, e o sangue começou a jorrar da minha boca. Juro, comecei a tremer na hora! Meus ouvidos pareciam que ia estourar e minha boca não parava de sangrar. Antes de acordar o marido eu coloquei um pouco de gelo para ver se conseguia estancar o sangue, mas não adiantou. Acordei o marido que ligou para o otorrino de plantão, que avisou que tinhamos que ir para o hospital, pq estava tendo uma hemorragia que precisava ser controlada :( Fui para o hospital de madrugada, e fiquei internada. Eles cortaram o sangramento, fizeram uma cauterização (que doeu absurdo), e me fizeram ficar internada por mais um dia e uma noite inteira para ter certeza que eu não ia precisar fazer outra cirurgia.

Após sair do hospital eu tive dias de muita dor. Dores que me faziam chorar, e no fim só fazia tudo ficar pior, pois quando choramos produzimos mais mucus, e para alguém com dificuldade de engolir, o excesso de mucus é um pesadelo. Eu fui láaaaa no fundo do poço da recuperação para finalmente voltar de lá rsrs

12 dias após a cirugia foi a primeira vez que consegui comer alguma coisa, que foi uma sopa :) Sabe a história de um monte de sorvete após a tonsilectomia? Hoje foi o primeiro dia que consegui colocar algum sorvete na boca... Ainda sinto dor. É impossível ficar sem tomar a medicação, e como fiquei muito tempo sem comer, toda vez que como alguma coisa mínima fico extremamente enjoada, e por isso tenho que tomar medicação para enjôo. Estou sempre cansada, e fraca. Quando tomo a medicação, fico derrubada, durmo mesmo sem estar com sono, mas é o único jeito de controlar a dor.

A tonsilectomia foi (está sendo) um pesadelo para mim. Se vc conhece alguém jovem que está evitando fazer a cirurgia, aconselhe a fazer o mais novo que puder, pq com a idade fica mais difícil.

O procedimento é simples, mas a recuperação é longa e dolorosa. Muito mais longa e dolorosa do que imaginei. Estou muito longe de me sentir bem de fato, mas pelo penos já consegui postar por aqui ;) Aos pouquinhos vou tentar ir no blog de todo mundo que tanto gosto!!