O fim da Amamentação

E a nossa jornada da amamentação chegou ao fim. Foram quase 3 anos. Para ser exata, 34 meses e uma semana. Sim, a gente conta os dias quando amamenta hahahahaha Como ouvi dizer por aí, a gente não sabe que o último dia de amamentação é o último dia e foi assim com a gente também, então não rolou nenhuma fotinho de despedida. Temos a da primeira mamada, mas não da última.

Arquivo Pessoal

Aqui o desmame não foi exatamente voluntário, mas foi gentil, o que era algo muito importante para mim. Quando nossa jornada começou, eu jamais achei que chegaria até aqui. Quem acompanha o blog já faz algum tempo, deve lembrar do meu post desabafo sobre os perrengues da amamentação. Nestes quase 3 anos, teve outros períodos difíceis também, mas superamos todos eles e chegamos ao fim da nossa história. 

Amamentar até esta idade é um sucesso que não alcançamos sozinhos. Tive muito apoio do marido, família, amigos e profissionais de saúde incríveis. Eu não tive sequer um profissional de saúde que fizesse qualquer comentário de que amamentar não era mais uma boa ideia, mesmo com o mundo de profissionais que vimos por conta do problema de constipação idiopática do pandinha. Eu sei que isto é um privilégio que poucas mães têm.

Eu amementei em um mundo de lugares diferentes: museus, aeroportos, aviões, barcos, ônibus, praia, em frente de monumentos, enquanto fazia trilha, parques de diversões... Eu segui a amamentação em livre demanda, então onde quer que fosse que Pandinha pedisse para mamar, ele tinha o peito. Havia períodos que ele era igual reloginho para amamentar e houveram outros que ele passava o dia e a noite grudado nos peitos. Houveram momentos que eu achava que o menino ia amamentar para sempre hahahaha

E porquê eu decidi parar de amamentar? Desde Dezembro de 2016, meu anticoncepcional parou de ter o efeito desejado para a minha endometriose, com isso, tenho sangramento forte e dores terríveis. Além da endometriose, eu tenho síndrome de tensão pré-menstrual severa, então, dentro do meu ciclo, eu tenho a TPM intensa, que chega uns 5 dias antes da menstruação mais os mesmos sintomas durante a menstrução que dura 8 dias. E amamentar durante estes 12-13 dias era muito difícil. Mastite, mamilo sangrando, tudo isso passou a ser fichinha comparado ao que sentia durante a amamentação durante este período. 

Eu nunca gostei de ninguém tocando nos meus mamilos, amamentar era diferente, no entanto, amamentar neste período em que os mamilos estão super sensíveis e doloridos, e com dor em quase todas as partes do corpo, minha paciência no ponto em que uma respiradas das pessoas me irritavam; amamentar se tornou bem, bem difícil no período menstrual. Era quase um revival de puerpério todos os meses. Apesar dos pesares, segui amamentando, mesmo ele tendo dois anos. Eu senti que ele não estava pronto, afinal, ele ficava grudado no peito e não queria fazer um desmame abrupto.

Nós fazemos cama compartilhada, então havia períodos em que Pandinha mamava o dia inteiro e a noite inteira. O primeiro passo no processo de desmame do pequeno foi o de tentar tirar as mamadas da madrugada. Eu sempre dormi com roupa prática para amamentar, então ele mesmo tinha livre acesso para abaixar minha blusa e mamar. Estas eram mamadas que ele fazia meio dormindo. Ele se mexia na cama, abaixava minha blusa e caia de volta no sono após um minuto de mamada. Após alguns meses de muitas conversas sobre a necessidade de eu e ele dormirmos de madrugada, passei a utilizar roupas que dificultavam o acesso ao peito. Eu sempre tive muito claro para mim que se causasse algum estress para ele, daria o peito. Felizmente, ele aceitou bem. Quando ele acordava de madrugada, tentava abaixar minha camiseta e como não conseguia, voltava a dormir sem chorar. Esta parte foi bem rápida, mas durante o dia, ainda havia períodos que se estivéssemos juntos, ele só queria peito. Depois que passamos algumas semanas sem o peito de madrugada, decidi diminuir as mamadas de tarde. Estas foram bem fáceis, para minha surpresa. Nosso tempo junto era todo ocupado com diversas brincadeiras, assim ele nem lembrava do peito.  Ficamos apenas com as mamadas antes da soneca da tarde e a mamada antes de dormir. Eu e ele concordamos em um tempo que ele poderia mamar por noite, enquanto na soneca da  tarde, ele mamava o quanto quisesse. Passamos a ter dias em que ele ia dormir sem nem lembrar do mamá. Fomos gradativamente reduzindo o tempo. Quando chegamos à um minuto, ele passou a esquecer com muito mais frequência. Durante todo este tempo, sempre conversavamos sobre como em alguns períodos estava difícil para eu amamentá-lo e que conforme a gente vai crescendo, vai deixando o peito, que é um processo natural e que eu continuaria enquanto ele quissesse, mas que seria bacana a gente começar a pensar em parar. Depois que ele passou vários dias sem lembrar, ele pediu e eu perguntei se ele queria tomar água ao invés do peito; ele aceitou. Durante uns 10 dias ele ainda pedia o peito e eu oferecia água que ele aceitava imediatamente. Só considerei que ele desmamou mesmo quando completamos um mês após a última mamada dele. Para minha maior surpresa, não houve lágrimas no nosso desmame, não houve retirada abrupta e não tenho ideia como seria se as coisas tivessem sido mais difíceis.

Como comentei no começo, nosso desmame não foi voluntário, mas foi respeitando ao máximo o meu tempo e o dele. Não foi algo que aconteceu do dia para noite. Se olharmos para todos os detalhes que envolveram o desmame, eu diria que o processo durou mais de 6 meses. Houveram momentos que eu achei que eu não iria aguentar e iria precisar fazer um desmame abrupto no meio do processo rsrs mas há um pouco mais de dois meses de completar 3 anos, meu pequeno, eu e o meu peito tiveram seu último encontro rsrs.

Agora ficam as memórias e as fotos. Esta é uma das minhas favoritas, nós em SanDiego,  mais especificamente na calçada da La Jolla Cove!

Arquivo Pessoal

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