Wednesday, July 18, 2012

Impasse da vida moderna

Estes dias, estava conversando com alguns amigos sobre alguns dilemas que os avanços tecnológico trouxeram às nossas vidas, e resolvi trazer esta discussão para o blog.

Antes de entrar no tema da discussão, deixa eu colocar algumas explicações.

Na reprodução assistida, um método que vem sendo usado há anos com uma técnica super desenvolvida e com sucessos mais que comprovado, é a técnica de criopreservação de sêmem. De modo bem resumido, a criopreservação nada mais é que uma técnica de congelamento onde nos possibilta guardar o sêmen por décadas, e após o descongelamente vc têm  uma amostra com um bom número de espermatozóides que podem ser utilizados para que a paciente fique grávida.

Utiliza-se esta técnica em casos diversos. Pode-se recorrer à este método para a criopreservação de sêmen para doadores desconhecidos. Pelo mundo, existem vários banco de sêmen e pacientes que precisam de amostras de sêmen de terceiros, podem comprar qualquer amostra que eles desejarem baseando-se em perfis disponíveis sobre os doadores.

Um outro uso é para casais onde o marido viaja constantemente (aqui se utiliza bastante para casais onde o homem é militar) e não estará disponível no período em que a mulher fai realizar uma inseminação.

Outra possibilidade é para esportistas. Por exemplo, é recomendado aos ciclistas profissionais que congelem sêmen, pois o ato de ficar sentado na bicicleta + o shorts colado que mantém a área bem quente, causa problemas de fertilidade.

Uma outra aplicação bastante comum, é para pacientes que vão passar por quimioterapia e radioterapia. Estes dois processos estão altamente ligados à dimunuição ou perda total de fertilidade, e é em torno deste uso que a discussão girou.

Quando vc pensa no processo de congelamento de sêmen para pessoas do sexo masculino que estão passando por tratamento de câncer, automaticamente pensamos dos benefícios deste processo. Chega até a ser meio senso comum de que todos devam recorrer a esta possibilidade. Mas e quando este tratamento está sendo feito em uma criança de uns 10 anos? Além de vc jogar nesta família a bomba da doença e do tratamento,  vc também precisa discutir a fertilidade de uma criança de, talvez, 7 anos?

Como vc explica para um menino, que já está lidando com uma situação tão física e emocionalmente complexa, que ele precisa se preocupar também sobre os futuros filhos que ele nem sabe se um dia vai querer ter? Como vc explica, para esta criança, sobre os benefícios da criopreservação? Como abordar o processo de masturbação com uma criança de 10 anos ou menos?

Pode parecer algo fácil, simples de se decidir, mas eu vejo como algo extremamente complexo para se discutir com uma criança. Esta decisão é feita principalmente com os pais, pois são eles que tomam as decisões legais pela criança, e aí vêm a outra parte que acredito ser tão complexa quanto o ato de criopreservação em si. E se por algum motivo religioso, moral, ou qualquer um que seja os pais decidem por não congelar sêmen? É direito dos pais privarem a criança da possibilidade de ter filhos por algo que eles acreditam e que há a possibilidade de no futuro a criança não areditar?

Não estou julgando, apontando dedos, ou sendo contra o credo de ninguém, mas eu acho bastante válido questionar o quanto os direitos, mesmo que futuro desta criança estão sendo privados por uma escolha que não é necessariamente dela...

Díficil né? Bom, para mim é, Não consegui chegar a nenhuma conclusão sobre o que acho mais certo ou não. Ficamos horas discutindo a respeito em um jantar, e a grande verdade é que ninguém na mesa tinha um lado... Ficamos todos em um limbo, sem chegar em nenhuma conclusão... Alguém por aí já pensou sobre isso?

Definitivamente um dilema da vida moderna!

12 comments:

  1. Nunca pensei sobre isso. Mas como você colocou, é extremamente difícil. Acho que não teria como chegar a uma conclusão sem estar/ter passado pela situação. E ainda assim... complexo...

    ReplyDelete
    Replies
    1. Babi, é o tipo de coisa que fico constantemente debatendo na minha cabeça, não gosto de ficar em cima do muro, mas eu não consigo chegar a nenhum ponto, pq acho que o debate está muito equilibrado... Bjuss

      Delete
  2. Nossa, também nunca tinha pensado sobre isso...como explicar esse processo todo para uma criança?! (e será que a criança deve ter autonomia sobre esse processo? Ou não?) Muito difícil! Por um lado, que maravilha que a ciência nos dá essa opção. Pelo outro lado, como é que lidamos com essa opção?

    ReplyDelete
    Replies
    1. Helen, é exatamente como penso, por um lado é maravilhoso saber que a ciência avançou até este ponto, mas a possibilidade veio neste contexto hiper complexo... Bjuss

      Delete
  3. E um dilema e mesmo e daqueles cabulosos onde a resposta e dificil de achar e possivelmente ela vem seguida de uma decisao que afetara alguem de modo brusco. Acho justo pensar no futuro da crianca, mas ao mesmo tempo penso como lidar em vias praticas com isso, como explicar a questao da masturbacao para uma crianca, e se por motivos religiosos isso nao e algo aceitavel, ou estimulado a ser feito. Enquanto crianca os pais sao responsaveis legais, e se seus credos vao contra isso, os pais estao errados em fazer o que acham melhor para seus filhos, ja que isso nao causa nenhum trauma tambem? To pensando aqui e ainda nao consegui me posicionar, isso e muito delicado mesmo.
    Beijinhos

    ReplyDelete
    Replies
    1. Monique, difícil né?? Eu não acho que os pais estão exatamente errado em fazer o que acham melhor, mas ao mesmo tempo, o que eles acham melhor é exatamente o melhor? Complicado, mto complicado... Bjuss

      Delete
  4. Nossa Aline, assunto super interessante. Esse seria digno de um debate em aulas de etica e tal. Adorei. Eu vou ficar no limbo tb porque realmente, eh um daqueles assuntos que pra cada lado que seu pensamento va voce acha algo absurdo, aih volta pro outro aih acha absurdo tb, mas ao mesmo tempo necessario... sei lah. Fiquei confusa. Nao sei realmente o que pensar.

    ReplyDelete
    Replies
    1. Nani, merecia né? Também acho isso, vc vai para um lado e algo complexo aparece, vai para o outro e mais dúvidas surgem... Bjuss

      Delete
  5. Concordo com a Nani, Aline!!! Esse assunto poderia ser tema de debates em aulas de ética! Menina, que decisão difícil! Espero NUNCA precisar pensar sobre como explicar isso pra um filho meu. Deus me livre pq seria muito difícil!

    Mas me diz uma coisa... congelar semen não é o OLHO DA CARA não? Fiquei pensando nas pessoas que precisam, como um adolescente com câncer, mas não tem condições financeiras...

    Beijo!

    E parabéns por mais um post interessantíssimo!

    ReplyDelete
    Replies
    1. Re, também espero nunca ter que passar por isso, mas apra ser sincera, eu acredito que se precisasse, eu faria o congelamento sim. Acho o assunto super complexo, mas quando levo para o campo pessoal ele acaba perdendo um pouqinho da complexidade, louco né? O congelamento de sêmen não é tão caro não, e geralmente o plano de saúde cobre (isso aqui, n sei como hoje funciona no Brasil). Bjuss flor, e mto obrigada!

      Delete
  6. Imagino que os dilemas éticos e morais são uma constante na sua profissão.
    Acho que para nós é muito fácil dizer que é contra ou a favor, quando a gente não tem envolvimento emocional com a criança.
    Fiquei pensando um tempo sobre o assunto e a minha resposta inicial seria não optaria pelo congelamento de semen não.
    Será que só porque a tecnologia existe que somos obrigados a utilizar?

    ReplyDelete
    Replies
    1. Verdade, é impossível não vivermos em constante dilema com a ética no campo que trabalho. Sabe que por não ter a conatação emocional que acho tçao difícil de dizer o que acho melhor de uma forma geral? Acredito que se fosse com um filho meu eu faria sim o congelamento, mas se tivesse que tentar vender a idéia para alguém, eu não teria argumentos muito bom não. Não acho que pq a possbilidade existe somos obrigados a escolhê-la, o pessoal de cada um vai sempre interferir. A grande verdade é que na área da saúde os profissionais são consultores, quem bate o martelo final é sempre o paciente. Como consultores temos a função de expor aquilo que seria (de consenso geral) o melhor para o paciente, e nesta situação eu fico meio na dúvida se é tão simples assim de se sugerir... Bjuss

      Delete